Homens acusados de tentar usar bruxaria para matar presidente são condenados na Zâmbia
Prisões de dois homens acusados de feitiçaria estão ligadas a antiga legislação colonial britânica; entenda!

Na Zâmbia, dois indivíduos foram condenados por tentarem utilizar práticas de bruxaria com o intuito de assassinar o presidente Hakainde Hichilema. A condenação de Leonard Phiri, um líder comunitário, e Jasten Mabulesse Candunde, um cidadão moçambicano, marca um episódio inédito na história do país.
Os acusados foram detidos em dezembro após uma faxineira relatar ter ouvido sons estranhos. Durante a investigação, as autoridades descobriram que os homens tinham um camaleão vivo e uma série de amuletos, que incluíam um pano vermelho, um pó branco não identificado e o rabo de um animal.
O juiz que presidiu o caso enfatizou a gravidade da intenção dos réus, afirmando que eles não apenas ameaçaram a vida do presidente, mas também se tornaram inimigos do povo zambiano. Como resultado, ambos foram condenados a dois anos de prisão com trabalho forçado.
Durante o julgamento, os réus admitiram a posse dos amuletos. Além disso, Phiri teria declarado que o uso do rabo do camaleão em rituais poderia resultar na morte da vítima em até cinco dias. Essa informação foi divulgada pelo jornal britânico The Guardian.
A acusação sugeriu que os homens estavam agindo sob contrato do irmão de Emmanuel “Jay Jay” Banda, um deputado da oposição que está enfrentando sérias acusações, incluindo roubo e tentativa de assassinato.
Lei antiga
De acordo com o portal Extra, a condenação foi fundamentada em uma legislação colonial britânica que proíbe a feitiçaria. O caso ocorre em um momento em que Hichilema enfrenta crescentes críticas por sua postura em relação à liberdade de expressão e pela repressão de opositores políticos.
Hichilema expressou suas crenças pessoais em uma entrevista recente. “Pessoalmente, eu não acredito em feitiçaria, nunca acreditei em feitiçaria, como pessoa, como família, como cristão”, declarou à jornalista Martine Dennis no podcast “Africa Here & Now”. No entanto, muitos cidadãos zambianos argumentam que as crenças espirituais tradicionais não deveriam ser alvo de criminalização, conforme reportado pela BBC.