Fumaça de incêndios no Canadá pode ter causado 87 mil mortes
Estudo publicado na Nature aponta impacto global da poluição gerada pelos maiores incêndios florestais do Canadá atual

Os incêndios florestais que devastaram o Canadá em 2023, considerados os mais intensos já registrados no país, podem ter provocado mais de 87 mil mortes prematuras em todo o mundo, segundo estudo publicado nesta terça-feira, 10, na revista Nature.
A pesquisa aponta que a fumaça liberada pelos focos de fogo — que consumiram 18,4 milhões de hectares, cerca de 5% da área florestal canadense — espalhou-se por diferentes continentes, afetando populações na América do Norte, Europa e até no norte da África.
De acordo com os cientistas, 5.400 mortes nos EUA e no Canadá ocorreram de forma aguda, ligadas diretamente aos chamados “dias de fumaça do Canadá”, quando os níveis de poluição do ar ultrapassaram os limites recomendados para a saúde.
A exposição crônica à poluição particulada, no entanto, representou o maior impacto: 82.100 mortes prematuras no mundo, incluindo 33 mil nos Estados Unidos e 22.400 na Europa.
Poluição no Canadá
A pesquisa foi conduzida por equipes da China, dos EUA e do Canadá. Utilizando modelos de dispersão da fumaça, dados de poluição atmosférica (PM2,5) e técnicas de aprendizado de máquina, os cientistas quantificaram o impacto global.
A conclusão é que os incêndios canadenses foram responsáveis por 13% de todas as partículas liberadas por queimadas em 2023. Aproximadamente 354 milhões de pessoas na América do Norte foram expostas, com aumento médio de 1,08 microgramas de PM2,5 por metro cúbico no ar.
Especialistas alertam que a fumaça não respeita fronteiras. Steven Davis, professor da Universidade Stanford, afirmou ao Live Science que os incêndios devem ser tratados como um problema internacional de saúde pública.
A cientista atmosférica Emily Fischer, da Universidade Estadual do Colorado, destacou que “este pode ter sido apenas a ponta do iceberg” diante das mudanças climáticas.
Entre os efeitos imediatos da exposição estão irritação nos olhos, crises respiratórias e risco cardiovascular aumentado.
A longo prazo, a poluição pode agravar doenças pulmonares, contribuir para o desenvolvimento de demência e reduzir a expectativa de vida.
Pesquisadores defendem medidas de mitigação, como o uso de máscaras em dias de fumaça intensa e sistemas de filtragem mais eficazes em prédios.
Segundo diz à Live Science Michael Brauer, da Universidade da Colúmbia Britânica, os incêndios de 2023 foram “historicamente significativos”, mas a tendência é que eventos semelhantes se repitam com o aquecimento global.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli