Notícias / Fóssil

Estudo revela segredos de fóssil gaúcho de 260 milhões de anos

Pesquisadores da UNIPAMPA e do Museu Nacional detalham características inéditas do fóssil de um dos parentes antigos dos mamíferos

Fóssil gaúcho capa
Crânio do Rastodon procurvidens - Reprodução/da Silva et al.

Um fóssil encontrado há cerca de uma década em São Gabriel, na Região Central do Rio Grande do Sul, acaba de revelar informações inéditas sobre a evolução de um dos grupos mais enigmáticos de animais pré-históricos: os dicinodontes.

Por meio de uma tomografia computadorizada de alta resolução, pesquisadores da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) e do Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conseguiram examinar pela primeira vez o interior do crânio e da mandíbula de um exemplar da espécie Rastodon procurvidens, que viveu há mais de 260 milhões de anos, no final do período Permiano.

O estudo trouxe à tona detalhes antes inacessíveis. Como o fóssil foi preservado com a boca fechada, até então não era possível observar a estrutura interna da boca e do céu palatino. “O Rastodon estava literalmente com a boca fechada há mais de 250 milhões de anos. Com a microtomografia, conseguimos abri-la e revelar aspectos incríveis da sua história evolutiva”, explica ao g1 João Lucas da Silva, paleontólogo da UNIPAMPA e coordenador da pesquisa.

Análise do fóssil

Entre os achados está a confirmação de uma característica única: as presas curvas e voltadas para frente, em contraste com outros dicinodontes, que geralmente apresentam presas orientadas para trás. O exemplar analisado encontra-se em ótimo estado de preservação, faltando apenas parte da coluna vertebral posterior e a região da cintura pélvica.

Segundo o professor Felipe Pinheiro, também da UNIPAMPA, a descoberta reforça a compreensão sobre como o grupo conseguiu atravessar a maior crise biológica da Terra. “O tamanho reduzido de alguns dicinodontes e seus hábitos de vida ajudam a explicar por que eles sobreviveram à extinção Permo-Triássica”, destaca ao g1.

Já Voltaire Paes Neto, pesquisador do Museu Nacional, celebra o papel das novas tecnologias na paleontologia. “Ferramentas modernas nos permitem revisitar fósseis já conhecidos e extrair informações surpreendentes, sem causar qualquer dano a eles”, afirma.

O trabalho amplia o conhecimento sobre a diversidade dos dicinodontes no território que hoje corresponde ao sul do Brasil e reforça a importância da região de São Gabriel como um dos principais sítios paleontológicos do país.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.