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Carta de JK foi escrita para governanta do ex-presidente

Carta escrita por Juscelino Kubitschek foi encontrada em museu de MG; e remetente original foi Tereza Bonifácio, governanta do ex-presidente

Tereza Bonifácio e carta de Juscelino Kubitschek / Crédito: Reprodução/TV Poços / Divulgação/Prefeitura de Poços de Caldas

Uma carta enviada pelo ex-presidente Juscelino Kubitschek, descoberta em um livro no Museu Histórico e Geográfico de Poços de Caldas, Minas Gerais, lançou luz sobre a história de Tereza Bonifácio, que foi sua governanta durante seu mandato. Tereza, natural de Poços de Caldas, trabalhou para a família Kubitschek durante a construção de Brasília, após deixar o serviço público em 1958.

Em uma entrevista concedida à TV Poços em 2004, Tereza recordou com carinho sua experiência ao lado do presidente e outros políticos da época. “Todos eram muito simples, muito mineiros”, afirmou, refletindo sobre o ambiente que permeava o governo. Ela ainda destacou a importância de sua contribuição na fundação da nova capital do Brasil. “Quando eu fico vendo o que Brasília é hoje, eu penso: ‘Meu Deus isso aqui era mato, aqui não existia’. Eu participei desde a fundação, desde a saída de Brasília do chão”, relembrou.

Após sua aposentadoria em 1975, Tereza retornou a Poços de Caldas, onde passou o restante de sua vida. A carta, datada de janeiro de 1961, faz parte de um conjunto enviado a diversas pessoas no final do governo JK. O ex-presidente utilizou métodos modernos da época para reproduzir o documento e enviá-lo a um grande número de destinatários.

No “Livro de Ouro“, onde estava contida a carta, Juscelino escreveu uma dedicatória especial a Tereza: “A Tereza Bonifácio, que durante tanto tempo nos acompanhou nessa dura luta da presidência, trabalhando conosco no Palácio da Alvorada, a homenagem, o apreço e a amizade de Juscelino Kubitschek – Brasília, 25-1-1961″. O livro também contém assinaturas da esposa do presidente, Sarah Kubitschek, e de suas filhas Márcia e Maria Estela, além de figuras notáveis como embaixadores e até mesmo da Miss Brasil de 1959, Vera Ribeiro.

Capa do “Livro de Ouro” e dedicatória / Crédito: Divulgação/Museu Histórico e Geográfico de Poços de Caldas

Descoberta

A descoberta foi feita pela historiadora Jussara Soares durante um estágio em museologia no museu. Em 28 de agosto, enquanto reorganizava o acervo do local, ela encontrou a carta dobrada dentro do “Livro de Ouro”. “Foi uma carta que JK enviou para várias pessoas em janeiro de 1961. Encontrei um tesouro!”, disse Jussara.

A carta expressa a gratidão do presidente ao povo brasileiro e faz um balanço positivo sobre sua administração. “Ao aproximar-se o término do meu mandato, venho manifestar-lhe, de modo especial, o meu reconhecimento pelo seu patriótico apoio à luta que travei para conduzir a pleno êxito a causa do desenvolvimento nacional“, inicia o documento.

A autenticidade da carta foi confirmada pelo selo presidencial em alto-relevo e pela assinatura de Juscelino. No entanto, o destinatário original não foi identificado imediatamente devido à ausência do envelope. Após investigações realizadas por Jussara Soares, conseguiu-se identificar Tereza como uma das destinatárias, repercute o g1.

Na mensagem, Juscelino se comprometeu a continuar trabalhando pelo Brasil mesmo após deixar o cargo: “Sejam quais forem os rumos da minha vida pública, levarei comigo ao deixar o honroso posto que me confiou a vontade popular, o firme propósito de continuar servindo ao Brasil com a mesma fé, o mesmo entusiasmo e a mesma confiança nos seus altos destinos”.

Juscelino Kubitschek deixou a presidência em 1961 quando foi sucedido por Jânio Quadros. Posteriormente, em meio ao regime militar instaurado em 1964, teve seus direitos políticos suspensos e optou por se auto exilar nos Estados Unidos e na Europa. Retornou ao Brasil em 1967 e faleceu tragicamente em um acidente automobilístico no Rio de Janeiro em 1976.

Atualmente, o Museu Histórico e Geográfico está realizando uma pesquisa aprofundada sobre a vida de Tereza Bonifácio e planeja expor tanto a carta quanto o livro para apreciação pública.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.