Clássico sobre a luta indígena retorna às livrarias após 50 anos

Publicado em plena ditadura militar, 1Nossos índios, nossos mortos', de Edilson Martins, volta atualizada e reafirma a urgência do debate indígena

Livro indígena
Livro de Edilson Martin relembra a causa indigenista no Brasil ditatorial - Divulgação

Publicado originalmente nos anos 1970, em plena ditadura militar, o livro Nossos índios, nossos mortos, de Edilson Martins, volta às livrarias pela Letra Capital Editora depois de cinco décadas fora de catálogo. A obra, que vendeu mais de 350 mil exemplares em sua primeira edição pela Codecri, editora do Pasquim, se consolidou como documento histórico ao denunciar massacres, remoções forçadas e a devastação da Amazônia.

Com linguagem direta e combativa, Martins reuniu reportagens, entrevistas e artigos que deslocaram a questão indígena do debate restrito a antropólogos e sertanistas, levando o tema ao grande público. O autor se valeu de sua experiência como jornalista e documentarista, viajando por reservas e territórios indígenas ao longo de 50 anos, para construir uma radiografia contundente da vida e da resistência dos povos originários.

A nova edição preserva o impacto da publicação original, mas traz novidades: um novo prefácio, uma crônica inédita sobre Marina Silva quando foi convidada por Lula a assumir o Ministério do Meio Ambiente em 2002, além dos textos originais de apresentação de Antônio Callado e do sertanista Apoena Meirelles.

O lançamento está marcado para 17 de setembro, às 18h, na Livraria da Travessa de Botafogo (Rio de Janeiro). O evento contará com entrevista ao vivo de Edilson Martins para o jornalista Ricardo Lessa, do Valor Econômico, e exibição de vídeos produzidos pelo próprio autor.

Causa indígena

O relançamento chega em um momento simbólico: a proximidade da COP 30, que será realizada em Belém neste ano de 2025. Para Martins, a luta indígena e a emergência climática são faces de uma mesma história de destruição. “Atual, inconveniente, fazendo a crônica de diferentes povos ameaçados de um extermínio histórico que só há pouco começou a ser contido, Nossos índios, nossos mortos retorna como leitura obrigatória. Não se pode pensar o Brasil sem os povos originários, raiz primeira de nossa formação étnica e cultural”, afirma em comunicado.

Nascido no Seringal Esperança, entre Amazonas e Acre, Edilson Martins viveu de perto as “correrias” de seringalistas contra aldeias. Testemunha desse processo, transformou a violência em militância jornalística. Ao longo da carreira, publicou nove livros — todos esgotados — e recebeu o Prêmio Vladimir Herzog pelo documentário Chico Mendes – Um povo da floresta.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.