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Plataforma japonesa vendia exames de ultrassom para enganar homens sobre paternidade

Plataforma de comércio eletrônico permitia a venda de imagens de ultrassom, gerando uma grande polêmica no Japão

Imagem ilustrativa - Crédito: Getty Images

A revelação de que a Mercari, uma das maiores plataformas de comércio eletrônico do Japão, permitia a comercialização de imagens de ultrassons fetais desencadeou uma grande polêmica no país. Esses arquivos eram vendidos por até US$ 14 (cerca de R$ 76).

Um dos anúncios trazia, por exemplo, um ultrassom de uma gravidez de sete semanas, que incluía informações editáveis como data e nome. Apesar de alertas sobre esse tipo de conteúdo terem sido emitidos desde 2018, o tema ganhou notoriedade em agosto deste ano, quando capturas de tela dessas postagens começaram a circular amplamente na internet.

A controvérsia teve início quando um usuário da plataforma X expôs a venda dessas imagens e também de testes positivos de gravidez. Vários internautas expressaram preocupações sobre o uso desses produtos para enganar homens, o que poderia resultar em fraudes emocionais e financeiras.

Supervisão

De acordo com o portal O Globo, essa discussão trouxe à tona a questão da supervisão nas plataformas online de negociação e os riscos associados. A prática fraudulenta conhecida no Japão como “ninshin sagi” refere-se ao ato de uma mulher simular uma gravidez com o objetivo de extorquir dinheiro de homens com quem teve relações sexuais. Embora essa modalidade de fraude não seja nova, o advento das redes sociais e plataformas como a Mercari facilita sua execução.

Especialistas em segurança digital alertam para as graves consequências que esse fenômeno pode acarretar. Segundo um estudo realizado em 2024, compartilhar fotos de ultrassonografia e informações associadas à gravidez nas redes sociais não apenas aumenta o risco de fraudes, mas também expõe a perigos sérios. A pesquisadora principal do estudo, Valeska Berg, aponta que mesmo postagens sobre a gravidez podem revelar dados identificáveis dos bebês.

Diante da crescente pressão pública e da repercussão do caso na mídia nacional, a Mercari divulgou uma resposta em 25 de agosto, anunciando que a partir do dia 1º de setembro, a comercialização de ultrassons e produtos relacionados estaria proibida em sua plataforma. A empresa esclareceu que tais postagens serão consideradas inadequadas e utilizou inteligência artificial para garantir que tentativas futuras de venda sejam automaticamente removidas. Usuários que já publicaram imagens de ultrassons foram aconselhados a retirá-las imediatamente, numa tentativa de prevenir fraudes e proteger usuários vulneráveis.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.