Mistério: o que aconteceu com o voo 370 da Malaysia Airlines?
Boeing 777 desapareceu há 11 anos após partir de Kuala Lumpur rumo a Pequim com 227 passageiros e 12 tripulantes a bordo

Não está claro, até o presente momento, o que provocou o desaparecimento do voo MH370 da Malaysia Airlines em 8 de março de 2014. Naquele dia, a aeronave, um Boeing 777, partiu de Kuala Lumpur às 12h41, rumo a Pequim, levando 227 passageiros e 12 tripulantes.
Às 1h19, os controladores de tráfego aéreo receberam a última transmissão de voz: “Boa noite, malaio três sete zero”. Dois minutos depois, o transponder foi desligado e o avião desapareceu dos radares, originando um dos maiores mistérios da aviação moderna.
Ao todo, 239 pessoas se encontravam a bordo. A maioria dos passageiros era de nacionalidade chinesa (153), mas também havia cidadãos da Austrália, França, Índia, Indonésia, Irã, Ucrânia, Rússia, Canadá, Estados Unidos e outros países. Já a tripulação era composta inteiramente por malaios. No comando estava o experiente capitão Zaharie Ahmad Shah, com mais de 18 mil horas de voo, acompanhado pelo copiloto Fariq Abdul Hamid, de 27 anos, que fazia seu último voo de treinamento.
Busca internacional
Logo após o desaparecimento, iniciou-se uma intensa busca internacional. Mais de 60 navios e 50 aeronaves de 26 países participaram da operação, que se estendeu até janeiro de 2017 e consumiu cerca de 200 milhões de dólares australianos. Foi a maior e mais cara busca da história da aviação, mas não trouxe respostas definitivas.
As primeiras investigações revelaram que, em vez de seguir sua rota programada para o norte, o MH370 fez uma curva acentuada à esquerda e seguiu rumo ao sudoeste, atravessando a Península Malaia. O radar militar da Malásia rastreou a aeronave até o Mar de Andaman, mas, às 2h22, o sinal desapareceu definitivamente. Apenas os satélites da empresa britânica Inmarsat continuaram registrando pings eletrônicos, que se estenderam até 8h11, mais de sete horas após a decolagem.
De acordo com o portal All That’s Interesting, a análise desses sinais permitiu traçar duas rotas possíveis: uma em direção à Ásia Central e outra sobre o sul do Oceano Índico. A primeira foi descartada, já que nenhum país da região detectou a passagem de uma aeronave não identificada. Restava, portanto, a hipótese de que o avião havia voado até uma das áreas mais remotas e hostis do planeta.
Baseando-se nisso, as autoridades concentraram as buscas em uma área de 75 mil milhas quadradas do sul do Índico, a oeste da Austrália. Submarinos robóticos equipados com sonares mapearam o fundo oceânico, revelando cadeias montanhosas, vales e vulcões submersos, mas não encontraram vestígios do avião. Paradoxalmente, a investigação acabou ampliando o conhecimento sobre o relevo submarino daquela região, embora não tivesse êxito em sua missão principal.

Primeiros destroços
Somente em julho de 2015 surgiram os primeiros indícios concretos. Um pedaço de asa conhecido como flaperon foi encontrado na ilha de Reunião, no Oceano Índico. A peça, identificada pelos números de série, pertencia ao MH370. Outros fragmentos apareceram nos anos seguintes em Madagascar, Tanzânia e África do Sul.
No total, três destroços foram confirmados como pertencentes ao avião e outros 17 foram classificados como “prováveis”. Embora esses achados confirmassem que o Boeing havia caído no Índico, o local exato do impacto permanecia incerto.
Enquanto isso, teorias se multiplicavam. Algumas apontavam para uma pane mecânica ou falha elétrica que teria incapacitado os pilotos. Outras sugeriam a possibilidade de sequestro ou até mesmo de ação deliberada da tripulação.
O relatório oficial malaio, publicado em 2018, reconheceu que não era possível descartar interferência humana. Afinal, a manobra abrupta de mudança de rota, o desligamento dos sistemas de comunicação e a duração prolongada do voo apontariam para uma ação intencional.
O capitão Zaharie, em especial, tornou-se alvo de especulações. Autoridades descobriram que, em seu simulador doméstico, havia rotas praticadas que terminavam no Oceano Índico. Em 2024, o especialista em aviação Simon Hardy chegou a afirmar que Zaharie teria cometido suicídio, levando consigo todos os passageiros.
Ele sugeriu que o piloto teria direcionado a aeronave para a chamada Zona de Fratura de Geelvinck, região instável do oceano onde os destroços poderiam ter sido enterrados sob formações rochosas. Contudo, familiares e colegas do piloto rejeitaram essa hipótese, descrevendo-o como um profissional apaixonado pela aviação, sem qualquer indício de crise pessoal ou financeira.
Passaportes falsos
Investigações sobre outros passageiros também foram conduzidas. Dois iranianos viajavam com passaportes falsificados, mas constatou-se que não tinham ligações com grupos terroristas e buscavam apenas asilo na Europa. Nenhuma evidência apontou para uma ação criminosa organizada.
Diante da falta de respostas, o caso transformou-se em terreno fértil para teorias conspiratórias. Algumas sugeriram envolvimento de potências internacionais, outras levantaram hipóteses improváveis sobre sequestro do avião para uso em ataques futuros. No entanto, nenhuma delas foi comprovada.
Em termos práticos, o desaparecimento do MH370 expôs falhas graves nos protocolos de monitoramento aéreo internacional. A ideia de que um avião de grande porte pudesse sumir sem deixar rastros em plena era digital chocou especialistas e público. Como resultado, agências de aviação ao redor do mundo adotaram novas medidas de rastreamento em tempo real, tentando evitar que episódios semelhantes se repitam.
Nova operação
Em março de 2025, mais de uma década após a tragédia, o governo da Malásia aprovou uma nova operação de busca, desta vez baseada em estudos de correntes oceânicas que indicam possíveis locais mais ao norte do ponto inicialmente investigado. Oceanógrafos, como os da Universidade da Austrália Ocidental, defendem que há chances reais de localizar a fuselagem submersa.
Ainda assim, permanece a incerteza. Encontrar os destroços principais poderá, talvez, esclarecer se houve falha mecânica, pane elétrica, incêndio, depressurização ou intervenção humana. Mas mesmo que o avião seja localizado, é possível que muitas perguntas continuem sem resposta.