A geração que pode não viver até os 100 anos, segundo estudo
Vida até os 100 anos: estudo aponta que centenários atingiram menor número enquanto expectativa de vida cresceu

Pode parecer contraditório, mas estamos vivendo uma desaceleração no crescimento da expectativa de vida. Um estudo publicado em 25 de agosto no respeitado periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) revela que, embora os seres humanos estejam vivendo mais do que antes — atingindo com mais facilidade a faixa dos 100 anos —, o ritmo com que esses avanços acontecem diminuiu consideravelmente nas últimas décadas.
A pesquisa analisou dados de 23 países de alta renda e baixa mortalidade, com base no extenso Banco de Dados de Mortalidade Humana,utilizando seis diferentes métodos de projeção. Os dados são reveladores: entre 1900 e 1938, a expectativa de vida aumentava, em média, cinco meses e meio por geração.
Uma pessoa nascida em um país rico no início do século 20 tinha uma expectativa de vida de cerca de 62 anos. Já em 1938, esse número já chegava aos 80 anos. Isso foi impulsionado por melhorias rápidas e amplas nas condições sanitárias, avanços médicos e maior acesso à saúde.
Até os 100 anos?
Entretanto, para quem nasceu após 1939, o cenário é outro. A expectativa de vida continua crescendo, mas agora a um ritmo mais modesto: cerca de dois meses e meio a três meses e meio por geração. Segundo os autores, esse fenômeno ocorre porque os maiores ganhos anteriores foram puxados por melhorias significativas na mortalidade infantil e juvenil — faixas etárias em que hoje já se vive muito mais. Com os avanços já consolidados, há menos espaço para saltos significativos.
O aumento sem precedentes na expectativa de vida que alcançamos na primeira metade do século 20 parece ser um fenômeno que dificilmente alcançaremos novamente num futuro próximo”, afirmou em comunicado Héctor Pifarré i Arolas, da Universidade de Wisconsin-Madison, conforme repercute a Revista Galileu.
É importante destacar que isso não significa que as pessoas viverão menos do que hoje — mas sim que o crescimento da expectativa média está desacelerando. Mais da metade dessa redução no ritmo pode ser explicada pelas tendências de mortalidade em menores de cinco anos. Dois terços, por sua vez, são atribuídos a mudanças na mortalidade em jovens com menos de 20 anos.
Portanto, ainda existirão pessoas nascidas após 1939 que passarão dos 100 anos de idade, mas a expectativa média de vida não chegará aos três dígitos, como era esperado.