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Emmett Till: Arma usada no assassinato de adolescente negro é exibida em museu

Pistola calibre .45 ligada ao assassinato de Emmett Till integra exposição permanente a luta pelos direitos civis

Emmett Till arma
Arma que matou Emmett Till em exposição - Getty Images; Departamento de Arquivos e História do Mississippi

Sete décadas após o brutal assassinato de Emmett Till, adolescente negro de 14 anos que se tornou símbolo do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos, a arma que teria sido usada no crime está agora em exibição pública.

No último dia 28 de agosto, data em que se completaram 70 anos da morte de Till, o Museu dos Direitos Civis do Mississippi, em Jackson, inaugurou uma mostra permanente com uma pistola Ithaca calibre .45 e seu coldre, ambos atribuídos a J.W. Milam, um dos homens que sequestraram, torturaram e mataram o jovem em 1955.

Para a diretora de coleções do Departamento de Arquivos e História do Mississippi, Nan Prince, o impacto do artefato é incomparável. “Esta arma me afetou mais do que qualquer outro artefato que encontrei em meus 30 anos de carreira em museu”, declarou ao Mississippi Today. O objeto carrega inscrições do Exército dos EUA e um coldre de couro com as iniciais “JM”, referência a Milam.

O percurso da pistola até o museu envolve décadas de mistério. Segundo o New York Times, o cineasta Keith Beauchamp já tinha conhecimento do paradeiro da arma em 2004, durante as investigações de um documentário sobre Till.

Morte de Emmett Till

O FBI reabriu o caso, realizou testes balísticos, mas não conseguiu provas conclusivas. Mais tarde, o jornalista Wright Thompson trouxe novas informações em seu livro “The Barn: The Secret History of a Murder in Mississippi” (2023). Foi após a leitura dessa obra que autoridades do estado negociaram a aquisição do artefato junto a uma família que a mantinha em um cofre bancário.

A exibição da pistola reacende memórias de um crime que chocou o mundo. Till foi sequestrado após assobiar para Carolyn Bryant, uma mulher branca, e morto por Milam e Roy Bryant. Seu corpo mutilado foi encontrado no rio Tallahatchie, com um ventilador de algodão amarrado ao pescoço. Embora os acusados tenham sido absolvidos por um júri formado apenas por brancos, confessaram o crime posteriormente a uma revista.

A decisão da mãe de Till, Mamie Till-Mobley, de realizar um funeral público com caixão aberto revelou a barbárie ao mundo e inspirou uma geração a se engajar contra o racismo. Muitos historiadores consideram o caso como um dos estopins da luta pelos direitos civis nos EUA. Com a nova exposição, o museu busca não apenas preservar a memória do crime, mas também reafirmar o legado de resistência que dele emergiu.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.