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Peça de jogo viking encontrada na Noruega revela retrato e penteados do século 10

Arqueólogos acreditam que a estatueta seja a representação mais próxima de um verdadeiro viking

Peça encontrada na Noruega - Crédito: Divulgação/Museu Nacional da Dinamarca

Uma estatueta esculpida há mais de mil anos está desafiando e reescrevendo a compreensão sobre os vikings. Com apenas três centímetros de altura, a peça representa um homem barbado, cujos traços são considerados pelos especialistas como a representação mais próxima de um verdadeiro viking.

Esta miniatura, feita de marfim de morsa, foi descoberta em 1796 em um túmulo equino na região de Viken, próximo ao Oslofjord, no sul da Noruega. Datada do final do século 10, durante o reinado de Harald Bluetooth, a estatueta ficou armazenada no Museu Nacional da Dinamarca por mais de duzentos anos, registrada como um dos itens mais antigos sob o número 589. Sua redescoberta ocorreu quando o curador Peter Pentz  organizava uma exposição sobre videntes da Era Viking.

“Quando o encontrei em um dos nossos depósitos há alguns anos, fiquei bastante surpreso – ele estava lá, me encarando, e eu nunca tinha visto um viking assim antes”, relatou Pentz, de acordo com o portal Archaeology News. Ele descreveu a descoberta como “excepcional” e acrescentou: “Este é um busto em miniatura e é o mais próximo que chegaremos de um retrato de um viking.”

A escultura retrata um homem com cabelo repartido ao meio, uma onda em um lado da cabeça que expõe sua orelha e cabelos cortados na parte de trás. Os detalhes da barba também são impressionantes: um bigode espesso, uma longa barba trançada e costeletas bem definidas. Até mesmo uma pequena mecha acima da orelha é visível. Para Pentz, esses elementos oferecem novas informações sobre os hábitos de cuidados pessoais dos vikings. “Esta é a primeira vez que temos uma figura masculina viking cujo cabelo é visível de todos os ângulos. É único”, explicou.

Detalhes da estatueta

A estatueta parece também expressar uma certa personalidade. A barba e o rosto do homem sugerem que ele pode ser mais do que uma figura genérica. Pesquisadores acreditam que ela foi inicialmente utilizada no jogo nórdico Hnefatafl, no qual poderia representar o rei, a peça mais importante do tabuleiro. Alguns estudiosos até especulam que a escultura possa representar um monarca real, possivelmente Harald Bluetooth. O rei que unificou a Dinamarca e levou o cristianismo para a região.

A precisão do trabalho é notável se comparada à maioria das obras vikings sobreviventes, que geralmente se concentravam em padrões animais e designs abstratos. A fonte destaca que retratos humanos eram raros e quando surgiam – como em moedas – eram tipicamente genéricos e sem individualidade marcante. Isso torna esta pequena escultura de marfim ainda mais valiosa, pois não só indica moda como também reflete a autoimagem da elite viking.

Também vale destacar que, embora pequena, a estatueta revela riqueza e status social. O marfim de morsa era um dos materiais mais caros da Era Viking, proveniente da Groenlândia e altamente valorizado em toda a Europa do Norte. O uso desse material sugere que o objeto foi feito para alguém de alta posição, possivelmente produzido para representar uma figura real, conferindo peso simbólico ao jogo para o qual era destinado.

Atualmente exposta no Museu Nacional de Copenhague, a estatueta segue atraindo a atenção tanto de pesquisadores quanto do público. Para Pentz, essa descoberta vai além de uma mera curiosidade: “Até agora, não tínhamos informações detalhadas sobre os penteados vikings”, afirmou ele. “Mas aqui temos todos os detalhes.”

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.