Fóssil de réptil marinho de 7 metros é descoberto na Austrália
Restos mortais de ictiossauro chama atenção por ser um dos mais completos já descobertos no país, preservando diversas estruturas; confira!

Em 2023, uma mulher australiana chamada Cassandra Prince descobriu, quase por acaso, um impressionante fóssil de ictiossauro — um réptil marinho já extinto — de 7 metros em uma propriedade na área de Toolebuc, no interior da Austrália. Ao longo de 2024, investigações foram feitas no local, e recentemente o achado foi divulgado pela ABC News Australia.
O fóssil em questão já é considerado o mais completo já encontrado na Austrália, preservando diversas estruturas biológicas. Entre elas, estão uma coluna vertebral completa, uma nadadeira esquerda intacta, uma nadadeira direita específica, nadadeiras traseiras, a barbatana caudal parcial, isso tudo sem mencionar o crânio e tronco quase completos.
“Estávamos fazendo o que chamamos de ‘emu bobbing’, que é simplesmente andar por aí procurando por rochas que tenham fósseis para que possamos cavar”, relatou Prince à ABC News. Foi então que ela se surpreendeu ao fazer a descoberta, inicialmente de apenas um pequeno osso.

Cassandra Prince então contatou o proprietário de Toolebuc, que permitiu a expedição de exploração do local. Após as escavações serem concluídas, o fóssil foi doado ao Museu Era dos Dinossauros, em Winton, que deve prepará-lo antes de ele ser exposto ao público, o que está previsto para ocorrer em 2026.
Descoberta importante
Conforme repercute a Revista Galileu, o ictiossauro (Platypterygius australis) dominou os mares interiores — mares dentro de continentes com uma conexão com o oceano através de canais estreitos — há 100 milhões de anos. Ao contrário do que muitos pensam, eles não eram dinossauros marinhos, mas outros tipos de répteis que se assemelhavam consideravelmente com os golfinhos que conhecemos hoje em dia.
O achado em questão, por sua vez, chama grande atenção, pois é o fóssil mais completo já encontrado na Austrália. Espen Knutsen, cientista sênior e curador do Museu Tropical de Queensland reitera que, no máximo, os exemplares anteriores eram compostos apenas pelas cabeças e algumas partes do corpo.
“A nova descoberta nos permite ver exatamente quais eram as proporções do corpo e, também, se conseguirmos descobrir a idade do espécime”, disse Knutsen à ABC News. “Isso pode nos dizer como as formas do corpo evoluíram ao longo da vida e pode nos ensinar mais sobre a ecologia e o movimento do animal também”.

Por fim, o especialista aponta que o fóssil ainda deve ser mais profundamente analisado, e que seria interessante descobrir, por exemplo, o conteúdo dentro de seu estômago. “Talvez alguns conteúdos estomacais possam nos dizer mais especificamente sobre o que essas coisas estavam comendo aqui em Queensland”, conclui Knutsen.