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Dinossauros pescoçudos se apoiavam em duas patas, diz estudo

Pesquisa com fósseis do Brasil e da Argentina mostra que dinossauros menores conseguiam se erguer com mais facilidade e por mais tempo

Dinossauros ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Getty Images

Um novo estudo publicado na revista Palaeontology mostra que alguns dinossauros saurópodes do Cretáceo Superior, como o brasileiro Uberabatitan ribeiroi e o argentino Neuquensaurus australis, tinham a capacidade de ficar em pé sobre as patas traseiras com mais facilidade do que outros gigantes do mesmo grupo. A iniciativa foi apoiada e divulgada pela FAPESP, conforme repercute o repórter da Agência FAPESP André Julião.

A habilidade, segundo os pesquisadores, seria vantajosa para alcançar folhas em árvores altas, espantar predadores ou atrair parceiros durante a reprodução. Apesar de considerados pequenos para os padrões dos saurópodes — com tamanho comparável ao de um elefante —, indivíduos adultos do Uberabatitan podiam chegar a 26 metros. 

Ainda assim, a capacidade de se manterem em pé por mais tempo era maior quando jovens. O estudo envolveu cientistas do Brasil, Alemanha e Argentina, com apoio da FAPESP. 

Os dinossauros

Para entender essa habilidade, os pesquisadores utilizaram uma técnica computacional comum na engenharia: a análise de elementos finitos (AEF). Eles criaram modelos digitais dos fêmures de sete espécies de saurópodes e simularam o estresse que os ossos suportariam em diferentes situações, como o peso do corpo sobre as patas traseiras e a força dos músculos. 

As simulações mostraram que Uberabatitan e Neuquensaurus apresentavam fêmures mais robustos e, portanto, melhor capacidade de dissipar o estresse. Já os maiores saurópodes, embora com músculos e ossos grandes, tinham mais dificuldade para se erguer e provavelmente faziam isso em situações específicas. 

Os autores destacam à Agência FAPESP que o estudo não considerou cartilagens nem apoio da cauda, o que pode influenciar os resultados. Ainda assim, a comparação entre as espécies oferece pistas importantes sobre o comportamento desses gigantes há 66 milhões de anos.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.