Calor extremo revela estruturas medievais sob grama da Inglaterra
Verão com alto índice de calor no Reino Unido traz à tona estruturas soterradas na grama, agora ressecada

Com temperaturas elevadíssimas e quatro ondas de calor consecutivas, o verão deste ano no Reino Unido está caminhando para ser um dos mais quentes da história.
Embora o calor tenha proporcionado momentos de lazer ao ar livre, como idas à praia e churrascos entre amigos, ele também trouxe um efeito inesperado e fascinante: a redescoberta de construções históricas há muito esquecidas, ocultas sob o solo de antigas propriedades.
Duas áreas administradas pelo National Trust estão testemunhando o ressurgimento de estruturas medievais graças às chamadas “marcas de ressecamento” — manchas de grama seca que aparecem onde existem construções enterradas.
Calor e segredos
Como a grama sobre paredes antigas seca mais rapidamente que nas áreas vizinhas, ela acaba desenhando mapas temporários das fundações subterrâneas. No Priorado Agostiniano de Mottisfont, em Hampshire, marcas visíveis no gramado revelaram partes do antigo mosteiro, fundado em 1201 e dissolvido por Henrique VIII em 1536. Posteriormente, o local foi reformado e transformado em uma residência Tudor por Sir William Sandys no século 18.
Conforme explica ao Independent James Brown, arqueólogo do National Trust, essas aparições são raros vislumbres da história, já que a área nunca foi escavada. Em North Yorkshire, na Abadia de Fountains, fenômeno semelhante revelou a planta de um antigo salão de hóspedes, com colunas e corredores claramente visíveis nas manchas secas do terreno.
Segundo o arqueólogo Mark Newman revelou ao jornal, essa construção reforça a importância da hospitalidade monástica medieval, mostrando que a abadia abrigava grande número de visitantes.
Excesso de calor
O Met Office confirmou que junho de 2025 foi o mês mais quente já registrado na Inglaterra, com chuvas muito abaixo da média. O Grupo Nacional de Secas declarou recentemente um “incidente de importância nacional” devido ao calor extremo.
Tom Dommett, chefe de meio ambiente histórico do National Trust, conta ao Independent que essas marcas estão se tornando mais frequentes com o passar dos anos. Elas já haviam sido observadas em 2018 e 2022, e agora surgem novamente de forma ainda mais evidente, impulsionadas por primaveras secas e verões cada vez mais quentes, reflexo direto das mudanças climáticas.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli