‘Alcatraz dos Jacarés’: Justiça dos EUA ordena desmantelamento de centro de detenção de imigrantes

Decisão judicial suspendeu na última quinta-feira, 21, as operações do centro de detenção de migrantes localizado na Flórida

Alcatraz dos Jacarés
A Alcatraz dos Jacarés - Crédito: Getty Images

Uma decisão judicial suspendeu ontem, quinta-feira, 21, as operações do centro de detenção de migrantes apelidado de “Alcatraz dos Jacarés“, na Flórida. A juíza Kathleen M. Williams determinou que nenhuma nova pessoa seja enviada ao local e ordenou que o espaço seja desmantelado no prazo de 60 dias, por entender que a instalação viola normas ambientais. O governo da Flórida e a administração do presidente Donald Trump pretendiam transformar a estrutura, erguida no coração dos Everglades, em um modelo a ser replicado em outras regiões dos Estados Unidos.

Na decisão, a juíza ampliou uma suspensão provisória decretada duas semanas antes e exigiu que as autoridades desmontem todos os recursos temporários instalados para manter o centro em funcionamento, como cercas, sistemas de iluminação, geradores e estruturas de saneamento. Isso, na prática, significa o encerramento definitivo das atividades.

Segundo Williams, tanto o estado da Flórida quanto o governo federal descumpriram a legislação que obriga a realização de uma avaliação de impacto ambiental antes da construção de empreendimentos em áreas sensíveis. A magistrada acolheu os argumentos de organizações ambientalistas e do povo indígena Miccosukee, que denunciaram os riscos do centro para o frágil ecossistema pantanoso da região. Em sua ordem, destacou que o projeto provoca “danos irreparáveis”, como a destruição de habitats e o aumento da mortalidade de espécies ameaçadas de extinção. As informações são da AFP.

Resposta do governo

O governo da Flórida, responsável pelas instalações, já apresentou recurso contra a decisão. O centro havia sido erguido em apenas oito dias, em uma antiga base aérea, sob orientação do governador Ron DeSantis, com o objetivo de reforçar a política migratória de Trump. Desde sua inauguração em 2 de julho, a estrutura enfrentava forte contestação de ambientalistas, juristas e ativistas de direitos humanos, que alertavam tanto para o impacto ecológico quanto para a situação dos detidos.

Diversos migrantes e advogados denunciaram condições precárias de encarceramento. Relatos à agência AFP apontaram dias inteiros sem acesso à luz solar, falta de higiene, ausência de atendimento médico e até episódios de violência por parte de carcereiros contra presos que reclamavam do tratamento recebido.

A decisão de ontem reforça o histórico de enfrentamento entre a juíza Williams e o governo estadual. Nomeada em 2011 pelo então presidente Barack Obama, ela já havia bloqueado meses atrás uma lei da Flórida que criminalizava a entrada de migrantes sem documentos, provocando fortes críticas da gestão DeSantis.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.