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Estudo revela diversidade de estratégias de mordida entre dinossauros carnívoros

Nova pesquisa revela que dinossauros tinham mordidas únicas e adaptadas, desafiando mitos sobre o Tiranossauro rex e suas capacidades predatórias

Imagem ilustrativa de um Tyrannosauru Rex - Getty Images

Uma nova pesquisa publicada na renomada revista Current Biology desafia a noção popular, muitas vezes retratada em produções cinematográficas, de que todos os dinossauros gigantes possuíam mordidas comparáveis à do Tiranossauro rex. De acordo com cientistas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, cada linhagem de dinossauros desenvolveu adaptações específicas em suas mordidas, refletindo suas dietas e métodos de caça distintos.

Enquanto o T. rex é reconhecido por sua impressionante capacidade de esmagar ossos com uma mordida extremamente poderosa, outros terópodes, como o Allosaurus e o Giganotosaurus, apresentavam forças de mordida consideravelmente menores. Em contrapartida, o Spinosaurus desenvolveu uma mordida mais ágil e adaptada para capturar presas aquáticas.

A pesquisa teve como objetivo entender se todos os dinossauros carnívoros gigantes compartilhavam características cranianas robustas ou se adotaram diferentes estratégias biomecânicas para a alimentação. Para isso, a equipe elaborou o maior conjunto de dados tridimensionais sobre crânios de terópodes carnívoros já compilado até hoje.

Os pesquisadores utilizaram crânios fossilizados bem preservados de 18 espécies distintas. O processo começou com varreduras 3D para digitalizar os fósseis, seguido pela aplicação de técnicas de engenharia usadas tradicionalmente para avaliar o estresse em estruturas como pontes.

No contexto da engenharia e biomecânica, estresse refere-se à força interna que um material experimenta sob carga — neste caso, a força exercida durante a mordida dos dinossauros. Essa análise permitiu que a equipe estudasse a distribuição e o deslocamento da força ao longo do osso, revelando como diferentes estruturas poderiam suportar diversos tipos de pressão.

De acordo com Andre Rowe, autor principal do estudo, “os dinossauros carnívoros evoluíram por caminhos bastante variados em termos de biomecânica alimentar e comportamentos possíveis”. Dada a ausência de grandes predadores bípedes na atualidade, as descobertas atuais oferecem insights valiosos sobre essa evolução.

Exemplos

O Giganotosaurus exemplifica uma abordagem evolutiva única: sua anatomia era especializada para cortes precisos de carne. Com um crânio longo repleto de dentes afiados e serrilhados, ele podia extrair grandes pedaços de carne sem necessariamente despedaçar os ossos. Seus ataques eram devastadores mesmo sem uma mordida massiva.

Este dinossauro viveu durante o Cretáceo médio, há aproximadamente 98 milhões de anos, na região que hoje corresponde à Patagônia argentina. O professor Eric Snively, da Universidade Estadual de Oklahoma, comparou seus dentes a “um cruzamento entre um grande tubarão branco e um dragão de Komodo”.

Em contraste, o Spinosaurus utilizava uma estratégia focada em ambientes aquáticos. Seu crânio possuía um focinho retrátil e narinas posicionadas para cima, enquanto seus dentes tinham formato pontiagudo — ideais para agarrar presas escorregadias como peixes. Snively descreveu essa adaptação como “uma garça com corpo de salsicha e dentes de crocodilo” durante uma entrevista ao Earth.com.

A análise das características cranianas do T. rex em comparação com parentes modernos como crocodilos e aves revelou que sua mordida era uma das mais potentes já documentadas entre predadores terrestres. Fion Waisum Ma, paleontóloga do Museu de Pterossauros Beipiao na China, sugeriu que as condições adversas do Cretáceo Superior poderiam ter impulsionado o T. rex a desenvolver uma “estratégia alimentar singular” para sobreviver em um ecossistema competitivo.

Dessa forma, não se tratava apenas do tamanho e força do T. rex; sua sobrevivência dependia também da necessidade de possuir um crânio robusto e musculatura poderosa capazes de proporcionar mordidas letais. Essa adaptação não apenas facilitava a defesa contra competidores por carcaças mas também possibilitava a trituração eficaz dos ossos para acessar nutrientes essenciais.

Segundo a CNN, enquanto outros terópodes se destacavam pela velocidade ou habilidade em cortar carne, o Tiranossauro foi moldado para concluir confrontos decisivos rapidamente. Em um ambiente onde hesitar poderia significar perder uma refeição ou tornar-se a presa, o T. rex não apenas sobreviveu; ele se tornou um predador dominante — um ícone cultural imortalizado em diversas obras cinematográficas, apesar de não ter coexistido no período Jurássico.