Após terremoto, vulcão adormecido entra em erupção após 500 anos na Rússia
Dias após megaterremoto de magnitude 8,8, Rússia registra erupção do vulcão Krasheninnikov pela primeira vez em cerca de 500 anos

O vulcão Krasheninnikov, localizado na Península de Kamchatka, na Rússia, teve uma erupção significativa, representando o seu primeiro evento eruptivo em aproximadamente 500 anos. Este fenômeno ocorreu poucos dias após um mega-terremoto de magnitude 8,8 ter abalado a região no dia 30 de julho, sendo este o segundo vulcão a entrar em erupção na área nos últimos cinco dias.
A erupção do Krasheninnikov aconteceu durante a noite do último domingo, 3 de agosto, lançando uma coluna de cinzas a uma altitude de cerca de 6 quilômetros. Apesar da magnitude do evento, o Ministério de Situações de Emergência da Rússia garantiu que não houve ameaça para as áreas habitadas nas proximidades.
Na mesma manhã da erupção, um terremoto de magnitude 7,0 foi registrado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), às 6:37 da manhã, horário local, nos arredores das Ilhas Curilas, um arquipélago vulcânico que se estende desde o extremo sul da Península de Kamchatka até o nordeste do Japão. Em decorrência desse tremor, um alerta de tsunami foi inicialmente emitido, mas posteriormente cancelado pelas autoridades russas.
Pesquisadores acreditam que a recente atividade vulcânica e os terremotos possam estar interligados ao mega-terremoto que ocorreu na região no final de julho. Esse evento sísmico é considerado responsável pela intensificação da erupção do vulcão Klyuchevskoy, que ocorreu pouco após o terremoto.
Cientistas russos já haviam alertado sobre a possibilidade de fortes réplicas continuarem afetando a Península por várias semanas após o grande tremor. A precisão sobre o momento exato do início da erupção do Krasheninnikov ainda é incerta, conforme informado em comunicado por Nikolai Solovyov, chefe do serviço de segurança da Reserva Natural Estadual Kronotsky, ele recebeu notificações sobre a erupção às 6 horas da manhã no horário local.
Adormecido há séculos
A última atividade eruptiva confirmada do vulcão foi relatada por Olga Girina, chefe da Equipe de Resposta a Erupções Volcânicas da Kamchatka. Ela afirmou à agência estatal RIA que essa é a primeira erupção historicamente confirmada em mais de seis séculos. De acordo com informações divulgadas no canal Telegram do Instituto de Vulcanologia e Sismologia, Girina também mencionou que a última efusão de lava registrada teria ocorrido até 40 anos após 1463. No entanto, o Programa Global de Vulcanismo do Instituto Smithsonian indica que a última erupção conhecida ocorreu em 1550.
Ainda há muito a ser compreendido sobre as dinâmicas do mega-terremoto recente e as atividades vulcânicas subsequentes na Península de Kamchatka. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), grandes terremotos (com magnitudes superiores a 6,0) podem estar associados a erupções ou instabilidade vulcânica subsequente; entretanto, para que isso ocorra, os vulcões devem já estar em condições propícias para uma erupção, com magma armazenado sob pressão adequada e gases dissolvidos prontos para serem liberados.
Os representantes do USGS explicaram: “Se essas condições existirem, é possível que grandes terremotos tectônicos façam com que gases dissolvidos saiam do magma (como uma garrafa de refrigerante sacudida), aumentando a pressão e possivelmente levando a uma erupção”.