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Joias antigas ligadas ao Buda retornam à Índia: ‘Dia de alegria’

Antigas relíquias ligadas aos restos mortais de Buda quase foram leiloadas em Hong Kong, e agora foram repatriadas à Índia

A coleção que seria leiloada
A coleção que seria leiloada - Divulgação/Sotheby's

O governo indiano anunciou a repatriação de relíquias preciosas ligadas aos restos mortais do Buda, dois meses após ter interrompido a leilão de tais itens em Hong Kong. Essa ação foi impulsionada por preocupações legais levantadas pelo ministério da cultura do país.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, expressou sua alegria pelo retorno das gemas de Piprahwa após 127 anos, considerando este evento um triunfo para o patrimônio cultural indiano. Em uma publicação na plataforma X, ele declarou: “Todo indiano se orgulharia de saber que as relíquias sagradas Piprahwa de Bhagwan Buda retornaram ao seu lar após 127 longos anos. Essas relíquias sagradas destacam a estreita associação da Índia com Bhagwan Buda e seus nobres ensinamentos. Elas também ilustram nosso compromisso com a preservação e a proteção de diferentes aspectos de nossa gloriosa cultura”.

A Sotheby’s havia adiado a venda das gemas em maio deste ano, após o ministério da cultura ameaçar ações legais contra a casa de leilões, tanto na Índia quanto em Hong Kong, além de solicitar intervenção de organismos internacionais devido a supostas violações das leis de proteção ao patrimônio cultural, conforme repercute o The Guardian.

Relíquias especiais

Para muitos budistas, essas gemas são consideradas como portadoras da presença do Buda e, portanto, devem ser tratadas como restos mortais. As relíquias foram originalmente enterradas em um monumento funerário conhecido como estupa em Piprahwa, na atual região de Uttar Pradesh, na Índia, entre 240 e 200 a.C., misturadas com algumas das cinzas do Buda, que faleceu por volta de 480 a.C.

As 334 gemas incluem ametistas, corais, granadas, pérolas e cristais de rocha, além de conchas e ouro. Esses itens foram previstos para serem leiloados por cerca de HK$100 milhões (£9.7 milhões, ou mais de R$71,9 milhões, na cotação atual). A venda das gemas foi feita pelos descendentes de William Claxton Peppé, um proprietário colonial britânico que escavou as pedras preciosas em sua propriedade no norte da Índia em 1898. O anúncio do leilão gerou uma forte reação internacional entre líderes budistas e acadêmicos.

A Sotheby’s divulgou um comunicado afirmando estar satisfeita por ter facilitado o retorno histórico das gemas à Índia. “Com isso, concluímos nossa busca ativa nos últimos dois meses para identificar o melhor custodiante possível para as gemas. Hoje é o ápice de nossa estreita colaboração com a família Peppé, o governo da Índia e os recém-anunciados proprietários das gemas – o Godrej Industries Group. Agora concluída, esta venda representará o retorno permanente das Gemas Piprahwa à Índia, onde ficarão em exposição pública pelos próximos anos”, afirmou a empresa.

Pirojsha Godrej, vice-presidente executivo do Godrej Industries Group, expressou orgulho pela contribuição desse grupo para este momento histórico. “Estamos profundamente honrados em contribuir para este momento histórico. As gemas Piprahwa não são apenas artefatos, são símbolos atemporais de paz, compaixão e da herança compartilhada da humanidade”, disse Godrej.

Chris Peppé, neto de William Claxton Peppé e ex-proprietário das gemas, também compartilhou sua satisfação com o retorno dos itens. “Estamos felizes que o verdadeiro significado da descoberta de Piprahwa finalmente tenha recebido o reconhecimento público que sempre mereceu e que as pedras preciosas estarão disponíveis para o público ver”, acrescentou.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.