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Local de culto apocalíptico onde ocorreu massacre é transformado em atração turística

Local onde, em 1978, ocorreu o massacre de Jonestown, foi reaberto ao público como atração turística; mais de 900 pessoas morreram na ocasião

Jim Jones
Jim Jones - Getty Images

O local do massacre de Jonestown, onde mais de 900 pessoas morreram em 18 de novembro de 1978, foi reaberto ao público como destino turístico. A iniciativa partiu da empresa Wanderlust Adventures GY, que oferece visitas guiadas à antiga comunidade da seita liderada pelo pastor Jim Jones, situada na selva da Guiana. O passeio faz parte de um pacote mais amplo que custa US$ 750 (cerca de R$ 4 mil).

Fundada por um líder religioso norte-americano que se autointitulava “Pastor do Diabo“, a cidade de Jonestown abrigava uma comunidade isolada, formada por centenas de seguidores de Jones que buscavam uma vida autossuficiente.

De acordo com informações do portal Extra, a proprietária da empresa de turismo, Roselyn Sewcharran, defendeu a proposta e negou qualquer intenção sensacionalista. O objetivo, conforme afirmou em entrevista ao Daily Star, é educar as pessoas sobre como líderes manipuladores podem conduzir seus seguidores à tragédia.

Ela também argumentou que visitas a locais marcados por violência e sofrimento, como Auschwitz ou o Coliseu de Roma, são amplamente aceitas e cumprem função educativa semelhante.

Opiniões

No entanto, a reabertura de Jonestown dividiu opiniões e gerou críticas intensas. Kit Nascimento, que atuava como porta-voz do governo guianense na época do massacre, afirmou que a iniciativa apenas revive uma imagem negativa para o país. “Não tem nenhuma consequência para a população atual e não acho que tenhamos a responsabilidade específica de ensinar o mundo sobre seitas”, declarou.

John Cobb, de 66 anos, um dos sobreviventes do massacre, também se manifestou contra a proposta. Ele perdeu 11 familiares em Jonestown, incluindo sua mãe e cinco irmãos. Para ele, a iniciativa é “uma maneira de lucrar com a tragédia”.

Comunidade utópica

Em 1977, Jim Jones transferiu centenas de seus seguidores para a Guiana com a promessa de construir uma comunidade utópica. Os membros da seita entregavam seus bens e viviam sob rígido controle, sendo vigiados por homens armados.

Após ser acusado de abuso físico e fraude financeira, o pastor e sua seita, conhecida como Templo do Povo, passaram a ser alvo de uma investigação oficial conduzida pelas autoridades dos Estados Unidos.

Em 1978, após denúncias de abusos, o congressista norte-americano Leo Ryan foi ao local investigar. Ele e quatro pessoas foram assassinadas ao tentar deixar o acampamento. Poucas horas depois, Jones ordenou um suicídio em massa. Mais de 900 pessoas, incluindo crianças, foram obrigadas a beber ponche com cianeto — e muitas que resistiram foram mortas à força.