Adriana Rivas: acusada de crimes na era Pinochet será extraditada
Decisão da Justiça australiana abre caminho para que a ex-agente da polícia secreta de Augusto Pinochet responda por sequestros qualificados

A ex-babá Adriana Elcira Rivas, acusada de atuar como agente na ditadura de Augusto Pinochet, perdeu sua complexa batalha judicial na Austrália.
Dessa forma, ela será extraditada para o Chile para responder por graves acusações de sequestro qualificado. A decisão oficial, anunciada nesta terça-feira, 7, encerra uma longa disputa de sete anos em que a ré esteve sob custódia australiana.
Acusações e histórico
De acordo com informações do jornal The Guardian, Rivas, que atualmente tem mais de 70 anos, é apontada como participante no desaparecimento de sete pessoas no ano de 1976. Entre as vítimas, havia uma mulher grávida de cinco meses, capturada enquanto a acusada supostamente trabalhava para a polícia secreta chilena. Posteriormente, em 1978, a suspeita emigrou para o território australiano, onde trabalhou na cidade de Sydney até ser presa em 2019.
A ditadura liderada por Pinochet foi marcada por uma intensa e violenta repressão estatal. Estima-se que cerca de 40.000 pessoas foram mortas, torturadas ou presas por motivos estritamente políticos antes da queda do regime, em 1990.
Decisão do tribunal
Durante o andamento processual, a defesa tentou ativamente bloquear a repatriação compulsória, alegando falhas de interpretação e prescrição de prazos. Contudo, o juiz Michael Lee rejeitou prontamente essas alegações no tribunal federal, classificando a tese principal como “equivocada”.
Nesse sentido, o magistrado foi muito claro em sua avaliação técnica do pedido internacional. “Os documentos apresentados não sugerem que o crime pelo qual se solicita a extradição seja outro que não os crimes identificados ao longo do pedido… ou seja, sequestro qualificado”, afirmou Lee. Além disso, ele destacou de modo firme que “o requerente não conseguiu demonstrar que a decisão do ministro foi afetada por erro jurisdicional”.
Reação das famílias
Apesar dessa determinação que abre o caminho legal para a extradição, Adriana Rivas ainda possui o direito de apresentar um recurso ao pleno do tribunal federal. Enquanto isso, a resolução trouxe um forte sentimento de justiça aos familiares das vítimas, que acompanharam as audiências atentamente.
Por fim, a advogada das famílias, Adriana Navarro, celebrou abertamente a vitória após mais de 15 anos desde que a acusada teria fugido das autoridades do país sul-americano. Segundo a representante jurídica, todos os envolvidos na ação estão “verdadeiramente muito felizes” com o esperado desfecho. “Eles estão verdadeiramente encantados”, declarou Navarro.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes