Zico, o brasileiro que ajudou na profissionalização e popularização do futebol japonês
Entenda como brasileiro que brilhou em Copas do Mundo se tornou figura importante para o futebol japonês

A Copa do Mundo de 2026 começou há pouco mais de duas semanas, mas já nos presenteou com muitas surpresas. A força que a seleção japonesa vem apresentando até aqui é uma delas. Mas você sabia que muito do que o Japão vem mostrando em campo é resultado do trabalho iniciado por um dos maiores ídolos do futebol brasileiro? Estamos falando de Zico, é claro. E essa história começa nos anos 1990.
Naquela época, Arthur Antunes Coimbra, futebolista que participou das copas de 1978, 1982 e 1986, havia acabado de deixar o Flamengo, encerrando sua carreira como jogador. No entanto, sua despedida dos gramados não seria definitiva. Isto porque, pouco depois, ele aceitou um inesperado convite para jogar no Sumitomo Metals, atual Kashima Antlers, do Japão.
Profissionalizando o futebol
O problema, como destaca uma matéria do portal O Globo, era que a liga japonesa ainda era amadora àquela altura, sendo os times ligados a grandes empresas. Logo, a chegada do brasileiro foi fundamental para a criação, ainda naquela década, da J.League.
Enquanto esteve no time, o brasileiro conhecido como Galinho de Quintino desenvolveu uma nova mentalidade cultural pro futebol japonês. Ele, inclusive, é considerado um dos grandes responsáveis pela popularização do esporte por lá. Por isso acabou se tornando uma figura muito celebrada pela população local.
Após alguns anos vestindo a camisa do Kashima, Zico se aposentou definitivamente. No entanto, ele seguiu mantendo relações próximas com o país, tanto que, entre 1996 e 2002, foi diretor técnico do clube que defendeu. Já entre 2002 e 2006 exerceu a função de treinador da seleção do Japão, chegando a liderar o time durante a Copa do Mundo da Alemanha. A campanha em questão acabou terminando em eliminação ainda na primeira fase, quando o Japão perdeu de 4 a 1 — e isso justamente para o Brasil. Apesar disso, sob a liderança do Galinho de Quintino, os “Samurais Azuis” apresentaram um resultado satisfatório: dos 64 jogos, foram 36 vitórias, 13 empates e 15 derrotas, em um aproveitamento de 63%.
Um bom tempo depois, já em 2018, Zico voltou ao cargo de diretor técnico do Kashima Antlers, o qual ocupa até hoje. Para se ter uma noção de sua influência, o estádio do Kashima Antlers, o Ibaraki Kashima, conta com uma estátua do ídolo brasileiro.
Construindo um patrimônio
Certa vez, o ex-jogador chegou a comentar que o futebol japonês foi parte importante de sua trajetória mesmo financeiramente.
“Não fui milionário e nem sou. Depois do Japão que consegui fazer um patrimônio mais legal. O salário no Flamengo era bom, mas não era nada que podia ostentar. Primeiro salário que ganhei na vida foi ajuda de custo. Minhas roupas eu comprava na feira. Aí comecei a comprar em loja”, disse o ídolo em conversa no canal do Youtube do humorista Maurício Meirelles. “Comecei a ganhar dinheiro mesmo quando fui jogar no Japão. No Flamengo, eu tinha uma casa boa, mas não tinha dinheiro para investir. Já no Japão comecei a ganhar dinheiro para investir”, contou na ocasião.
O Japão ainda não ganhou nenhuma copa, mas fato é que hoje o país conta com seus próprios ídolos do futebol, como Hidetoshi Nakata, Yasuhito Endo e Shunsuke Nakamura. Muito desse sucesso ocorreu em razão do trabalho de Zico.