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Novo mapa revela combustível nuclear irradiado do mundo

Ferramenta da AIEA reúne dados atualizados sobre estoques globais de combustível nuclear irradiado

Foto de stock de Usina nuclear Dukovany, Dukovany República Tcheca - Getty Images

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) lançou uma nova ferramenta interativa que permite visualizar onde está armazenado o combustível nuclear irradiado acumulado ao redor do mundo. A plataforma reúne informações atualizadas até 2025 e evidencia um dos principais desafios enfrentados pela energia nuclear: o gerenciamento do combustível utilizado após sua passagem pelos reatores.

Segundo os dados apresentados pela organização, as usinas nucleares já descarregaram quase 448 mil toneladas de combustível nuclear irradiado (tHM, toneladas de metal pesado). Desse total, aproximadamente 322 mil toneladas, o equivalente a 71,9%, continuam armazenadas.

De acordo com a revista Galileu, o combustível nuclear irradiado é o material que já foi utilizado em um reator nuclear e perdeu a capacidade de sustentar uma reação em cadeia. Por esse motivo, ele deixa de ser empregado para a produção imediata de energia e precisa passar por processos específicos de armazenamento ou reaproveitamento.

Ferramenta reúne dados atualizados até 2025

O recurso disponibilizado pela AIEA corresponde à segunda versão do Inventário Global de Combustível Irradiado.

A primeira edição foi lançada em 2019 e reunia os dados disponíveis até aquele período. Agora, a nova plataforma apresenta uma versão interativa com informações atualizadas para 2025, complementadas por dados públicos.

Além de oferecer uma visão global sobre a quantidade de combustível irradiado existente, a ferramenta também permite acompanhar informações relacionadas às formas de armazenamento utilizadas em diferentes países.

Segundo a AIEA, das quase 448 mil toneladas acumuladas no mundo, cerca de 126 mil toneladas já passaram por processos de reprocessamento para reaproveitamento.

As aproximadamente 322 mil toneladas restantes continuam armazenadas, principalmente em piscinas de armazenamento, responsáveis por 41% do total, e em contêineres secos, que concentram 31% do combustível irradiado atualmente armazenado.

Estados Unidos lideram estoque mundial

O levantamento também apresenta um ranking dos países que concentram os maiores volumes de combustível nuclear irradiado armazenado.

Os Estados Unidos aparecem na primeira posição, com 94.666 toneladas de metal pesado (tHM), correspondendo a 29,4% do total mundial.

Na sequência aparecem o Canadá, com 63.466 tHM (19,7%), a Rússia, com 27.364 tHM (8,5%), e o Japão, com 21.106 tHM (6,6%).

O Brasil ocupa uma posição bem inferior na lista, acumulando 1.056 tHM, o equivalente a 0,3% do combustível nuclear irradiado atualmente armazenado no planeta.

Reino Unido lidera o reprocessamento

Quando o assunto é o reaproveitamento do combustível irradiado, o cenário muda.

O Reino Unido lidera o ranking mundial, com 57.073 tHM, o equivalente a 45,4% de todo o combustível reprocessado no mundo.

Na sequência aparecem a França, responsável por 39.839 tHM (31,7%), e o Japão, com 8.270 tHM (6,6%).

A plataforma também apresenta estimativas sobre as tecnologias empregadas no armazenamento seco desse material.

Entre elas, as unidades verticais ventiladas são as mais utilizadas, armazenando 50.168 tHM, cerca de 11% de todo o combustível nuclear irradiado descartado.

Em seguida aparecem os contêineres de concreto, responsáveis por 34.006 tHM (7,6%), e os contêineres metálicos, que armazenam 18.009 tHM (4%).

Ferramenta pretende ampliar o debate técnico

Segundo Gonzalez Espartero, Líder Técnica da Divisão de Ciclo do Combustível Nuclear e Tecnologia de Resíduos da AIEA, a nova plataforma busca facilitar o acesso às informações relacionadas ao gerenciamento do combustível irradiado.

De acordo com a especialista, ao apresentar de forma estruturada os estoques mundiais, incluindo o combustível reprocessado e os diferentes sistemas de armazenamento utilizados, a ferramenta contribui para análises técnicas e favorece discussões mais informadas sobre estratégias de gerenciamento desse material no longo prazo entre países e demais partes interessadas.