Veja 10 eventos históricos que a rainha Elizabeth II vivenciou
Responsável pelo reinado mais longo da história britânica, a rainha Elizabeth, que completaria 100 anos em 2026, presenciou diversos momentos históricos impactantes do mundo

Há 100 anos, nasceu em Londres uma notável figura da realeza britânica: Elizabeth Alexandra Mary, mais conhecida hoje como rainha Elizabeth II, que se tornou uma herdeira inesperada do trono após a abdicação de seu tio, o rei Eduardo VIII, em 1936. A partir daquele ano, sua vida passou a ser moldada pela perspectiva de uma responsabilidade histórica que, até então, não lhe estava destinada.
Em 6 de fevereiro de 1952, aos 25 anos, tornou-se rainha após a morte de seu pai, o rei George VI, sendo coroada oficialmente no ano seguinte, em uma cerimônia transmitida pela televisão para milhões de pessoas — um marco na modernização da própria monarquia. Seu reinado se estendeu por 70 anos, sendo assim o mais longo da história britânica, até sua morte, em 8 de setembro de 2022, aos 96 anos. Ao longo dessas sete décadas, Elizabeth II atravessou profundas transformações políticas, sociais, culturais e tecnológicas.
De um império ainda vasto no pós-guerra a um Reino Unido inserido em um mundo globalizado, digital e multipolar, a monarca permaneceu como chefe de Estado em meio a guerras, revoluções, avanços científicos e crises globais. Mais do que espectadora, foi presença constante em momentos decisivos, atuando como símbolo de estabilidade institucional em um período marcado por mudanças aceleradas.
1. Independência da Índia
Em 15 de agosto de 1947, a Índia conquistou a independência do domínio britânico, encerrando quase dois séculos de controle colonial. O processo também resultou na criação do Paquistão e foi acompanhado por intensos conflitos e deslocamentos populacionais. À época, Elizabeth ainda era princesa, mas o evento marcou uma inflexão histórica no poder britânico global.
A independência indiana tornou-se símbolo do início do desmantelamento formal do Império Britânico. Quando subiu ao trono, cinco anos depois, Elizabeth herdou uma monarquia que já não governava vastos territórios ultramarinos como antes. Durante seu reinado, acompanhou a transformação da antiga estrutura imperial na Commonwealth, organização baseada em cooperação voluntária entre nações soberanas, incluindo a própria Índia, redefinindo o papel internacional da Coroa.
2. Descolonização da África
Entre as décadas de 1950 e 1970, uma onda de independências redesenhou o mapa político africano. Gana tornou-se independente em 1957, seguida por Nigéria, Quênia e diversos outros territórios sob domínio britânico. Elizabeth II, já como soberana, viu o império colonial se dissolver progressivamente. Em muitos casos, deixou de ser chefe de Estado dessas novas nações, embora várias tenham optado por integrar a Commonwealth.
Esse processo representou uma transformação estrutural no papel do Reino Unido no cenário internacional e exigiu da monarquia adaptação a uma nova realidade pós-colonial. As visitas oficiais da rainha a países africanos simbolizaram a tentativa de construir laços diplomáticos baseados em parceria, e não mais em dominação.
3. Assassinato de John F. Kennedy
Em 22 de novembro de 1963, o presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, foi assassinado em Dallas, no Texas, enquanto desfilava em carro aberto na Praça Dealey acompanhado de sua esposa, Jacqueline, durante uma visita política. O crime abalou o cenário internacional em plena Guerra Fria.
Elizabeth II havia recebido Kennedy em visita oficial ao Reino Unido em 1961, em um encontro que reforçou os laços bilaterais. Após o assassinato, manifestou pesar publicamente e participou posteriormente da inauguração de um memorial em homenagem ao presidente em solo britânico. O episódio evidenciou o peso simbólico de seu papel diplomático e sua função na preservação da chamada “relação especial” entre Reino Unido e Estados Unidos em um contexto de tensão geopolítica.
4. Chegada do homem à Lua
Em 20 de julho de 1969, a missão Apollo 11 levou astronautas norte-americanos à superfície lunar, marcando um dos momentos mais emblemáticos do século 20. O feito simbolizou o auge da corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética, e é um verdadeiro marco no que se refere à exploração espacial.
Elizabeth II enviou uma mensagem oficial que foi depositada na Lua em microfilme, ao lado de declarações de outros líderes mundiais. O gesto representou a presença britânica em um marco da história científica e tecnológica. A rainha também recebeu os astronautas no Palácio de Buckingham, sublinhando o caráter global da conquista e seu impacto simbólico.
5. Guerra das Malvinas
Entre abril e junho de 1982, Reino Unido e Argentina entraram em guerra pelas Ilhas Malvinas, um arquipélago localizado no Atlântico Sul, composto por duas ilhas principais e centenas menores. Como chefe de Estado, Elizabeth II reinava enquanto o governo britânico conduzia as operações militares.
O conflito teve repercussões políticas internas significativas e mobilizou forte sentimento nacional. O príncipe Andrew, seu segundo filho — e recentemente centro de uma série de polêmicas envolvendo sua relação com o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein —, serviu como piloto de helicóptero na Marinha Real, o que conferiu ao episódio também uma dimensão pessoal. A guerra evidenciou a permanência de disputas territoriais herdadas do passado imperial e reforçou o papel simbólico da monarquia em tempos de crise.
6. Queda do Muro de Berlim
Em 9 de novembro de 1989, a queda do Muro de Berlim simbolizou o colapso das divisões ideológicas que marcaram a Guerra Fria e tornou-se um dos acontecimentos mais emblemáticos do século 20. Erguido em 1961, o muro havia materializado a separação entre a Alemanha Ocidental, alinhada ao bloco capitalista, e a Alemanha Oriental, sob influência soviética, transformando Berlim no epicentro simbólico da disputa entre Estados Unidos e União Soviética. Desde o início de seu reinado, Elizabeth II governou sob essa polarização geopolítica, acompanhando crises diplomáticas, corridas armamentistas e períodos de distensão que moldaram a política internacional por décadas.
O desmoronamento da barreira, impulsionado por pressões populares no Leste Europeu e por reformas internas no bloco socialista, desencadeou uma rápida reconfiguração do mapa político europeu. A reunificação alemã, formalizada menos de um ano depois, alterou equilíbrios institucionais no continente e abriu caminho para um aprofundamento dos processos de integração europeia no início dos anos 1990. Para o Reino Unido, tradicional ator central na política europeia e atlântica, o novo cenário exigiu adaptações diplomáticas e estratégicas. Em visita posterior à Alemanha reunificada, a rainha destacou a importância da reconciliação e da cooperação entre antigas nações rivais, demonstrando apoio simbólico ao esforço de estabilização e parceria continental que emergia após décadas de confronto ideológico.
7. Fim da União Soviética
Em dezembro de 1991, a dissolução formal da União Soviética encerrou a ordem bipolar que estruturou grande parte do século 20. A renúncia de Mikhail Gorbachev e a criação da Comunidade de Estados Independentes marcaram o fim de uma superpotência que, por décadas, rivalizou diretamente com os Estados Unidos em disputas ideológicas, militares e tecnológicas. O desaparecimento do bloco soviético redefiniu alianças, fronteiras e estratégias diplomáticas, além de dar origem a novas nações independentes no Leste Europeu e na Ásia Central, alterando profundamente o equilíbrio de poder global.
Elizabeth II, que ascendeu ao trono em plena Guerra Fria, testemunhou toda a trajetória desse confronto — da consolidação do bloco socialista no pós-guerra às tentativas de distensão nas décadas de 1970 e 1980, culminando no colapso definitivo do sistema soviético. A transição para um cenário internacional sem a rígida divisão entre dois polos exigiu rearranjos institucionais e diplomáticos também do Reino Unido, tradicional aliado dos Estados Unidos e integrante central da OTAN. O novo contexto também influenciou a política externa britânica, que passou a atuar em um ambiente mais fluido, marcado por conflitos regionais, expansão de organizações multilaterais e redefinição de prioridades estratégicas. Para a monarquia, embora seu papel seja constitucionalmente limitado, a mudança simbolizou o encerramento de uma era que havia moldado praticamente todo o seu reinado até então.
8. Morte da princesa Diana
A morte da princesa Diana em 31 de agosto de 1997 provocou comoção internacional e colocou a monarquia britânica sob intensa pressão pública e midiática. Embora divorciada do então príncipe Charles — atualmente rei —, Diana permanecia extremamente popular no Reino Unido e no exterior, associada a causas humanitárias e a uma imagem de proximidade com o público. A reação inicial da Casa Real, que permaneceu em Balmoral nos dias seguintes ao acidente, foi percebida por parte da opinião pública como fria e distante, gerando críticas e um debate nacional sobre o papel da instituição em tempos de luto coletivo.
Diante da crescente repercussão internacional e da mobilização popular em Londres, Elizabeth II realizou um raro pronunciamento televisionado ao vivo, no qual reconheceu a dimensão emocional da tragédia e prestou homenagem à ex-nora. O episódio marcou um ponto de inflexão na relação entre a monarquia, a imprensa e a sociedade, acelerando ajustes na comunicação institucional e reforçando a necessidade de maior sensibilidade pública em um cenário político e midiático cada vez mais imediato e globalizado.
9. Atentados de 11 de Setembro de 2001
Os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 às Torres Gêmeas, em Nova York, redefiniram a política internacional ao inaugurar uma fase marcada pelo combate global ao terrorismo e por profundas revisões nas estratégias de segurança e defesa. A ofensiva contra alvos civis e militares nos Estados Unidos provocou comoção mundial e levou à reorganização de alianças, além de desencadear intervenções militares que moldaram as décadas seguintes. Nesse contexto, Elizabeth II enviou uma mensagem oficial de solidariedade ao povo norte-americano e autorizou que o hino dos Estados Unidos fosse executado durante a cerimônia de troca da guarda no Palácio de Buckingham — um gesto incomum dentro do protocolo real britânico.
A iniciativa teve ampla repercussão internacional e reforçou a chamada “relação especial” entre Reino Unido e Estados Unidos em um momento crítico. Como chefe de Estado, a rainha desempenhou papel simbólico relevante ao expressar apoio institucional diante de uma crise que alteraria o equilíbrio geopolítico global. O episódio também evidenciou a capacidade da monarquia de atuar como instrumento diplomático em cenários de tensão, reafirmando sua função de representação e continuidade em meio a transformações profundas na ordem internacional.
10. Pandemia de Covid-19
Em 2020, a pandemia de Covid-19 impôs restrições sem precedentes à vida social, política e econômica em escala global, levando governos a decretarem lockdowns, fecharem fronteiras e adotarem medidas emergenciais para conter o avanço do vírus. No Reino Unido, assim como em outros países, o impacto foi profundo, com elevado número de vítimas e forte retração econômica. Nesse cenário de apreensão coletiva, Elizabeth II realizou um pronunciamento televisionado extraordinário — algo raro em seu reinado — conclamando a população à união, à disciplina e à resiliência diante da adversidade.
A crise sanitária alterou rituais tradicionais da monarquia, adiou cerimônias oficiais e compromissos públicos e levou a família real a adaptar sua agenda a formatos virtuais, rompendo práticas consolidadas ao longo de décadas. A própria rainha passou períodos em isolamento, seguindo as orientações médicas impostas à população. Internacionalmente, a pandemia também afetou a Commonwealth e as relações diplomáticas, reforçando a dimensão global do desafio. Em um dos últimos grandes testes institucionais de seu reinado, Elizabeth II reafirmou seu papel como símbolo de continuidade e estabilidade, oferecendo uma mensagem de constância em meio a uma das crises mais alarmantes do século 21.