O Japão já estava rendido quando os EUA atacaram Hiroshima e Nagasaki?
Entre o impasse dos líderes militares em Tóquio e o avanço tecnológico de Harry Truman, o Japão viveu dias de incerteza antes da rendição final

O Japão não estava oficialmente rendido na Segunda Guerra Mundial e as autoridades japonesas estavam divididas entre aqueles que queriam se render, porque viam que já não havia espaço para mais, não tinha futuro, e aqueles que queriam ir até morrer o último japonês.
O Conselho Supremo de Guerra, conhecido como os “Seis Grandes”, estava em um impasse político severo. Enquanto o Ministro da Guerra, Anami Korechika, defendia uma resistência desesperada nas ilhas principais para forçar termos de paz melhores, outros líderes temiam que a continuação do conflito resultasse no extermínio total da cultura japonesa.
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Decisão de Hirohito
Obviamente, Hirohito, o então imperador do Japão, em uma das poucas decisões sensatas dele em todo o período da guerra, fez com que o Japão se rendesse. Ele gravou o Gyokuon-hoso, o “Edito Imperial de Rendição”, que foi transmitido via rádio para toda a nação.
Há, inclusive, uma história que mostra que a segunda bomba atômica talvez não precisasse ser jogada, porque naquele momento, minutos antes daquele momento, o embaixador japonês nos Estados Unidos tinha entrado na Casa Branca para falar que eles iriam se render. Mas já não havia como parar o avião, como parar a bomba. Praticamente as duas coisas coincidiram.
Fatores de Pressão
Além das armas nucleares em Hiroshima e Nagasaki, a entrada da União Soviética na guerra contra o território japonês na Manchúria foi um golpe fatal. O governo de Harry Truman tinha pressa em encerrar o conflito antes que Josef Stalin pudesse ocupar áreas estratégicas no Pacífico.
De algum modo, o Japão estava rendido emocionalmente, mas não necessariamente os Aliados, os americanos, sabiam disso com clareza documental. O protocolo diplomático era lento, e as comunicações entre Tóquio, Moscou e Washington sofriam atrasos críticos.
Resistência e Espionagem
Como os espiões falavam para eles que, obviamente, muitos japoneses queriam lutar até o final — o que foi verdade em alguns casos e em algumas ilhas —, eles lutaram até morrer ou até se convencer de que realmente o Japão tinha se rendido.
Houve até uma tentativa de golpe de Estado, o Incidente de Kyujo, onde oficiais rebeldes tentaram roubar a gravação da voz do Imperador para impedir que a rendição fosse ao ar. Eles acreditavam que render-se era uma desonra insuportável perante os ancestrais.
O Fim Hostil
Então, os americanos até tinham preparado uma terceira bomba que iriam jogar no Japão, possivelmente em Tóquio, mas, obviamente, não foi necessário após a assinatura formal no navio USS Missouri. A rendição final foi um processo traumático e complexo que envolveu medo, orgulho e cálculos políticos de última hora. No final das contas, entender se as bombas foram o único motivo da paz é uma resposta de sim e não.
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