5 hábitos estranhos da realeza ao longo da história
De rituais para evitar veneno a banhos raríssimos, costumes bizarros revelam como monarcas lidavam com medo, fé e saúde em diferentes épocas

Ao longo dos séculos, reis e rainhas acumularam não apenas coroas e títulos, mas também muitos hábitos que, hoje, soam absurdos. Com base no livro A Arte Real do Veneno, de Eleanor Herman, o portal History Extra listou alguns desses costumes que misturam superstição, ciência rudimentar e até devoção religiosa.
1. Teste de veneno
Bem antes de se sentar à mesa, o rei inglês Henrique VIII já temia por sua vida ao deitar-se. Todas as manhãs, o criado responsável por arrumar a cama de Henrique VIII precisava beijar cada parte dos lençóis, travesseiros e cobertores para demonstrar que não havia veneno espalhado neles.

O medo ia além: roupas novas do príncipe Eduardo não podiam ser usadas sem antes serem lavadas e arejadas, e cada peça era testada por servos ou meninos do mesmo tamanho, para verificar se não provocava sensação de queimadura na pele. Até mesmo a almofada do penico real passava por inspeção.
2. A maquiagem tóxica
Elizabeth I, a “Rainha Virgem” (ao centro na capa da matéria) buscava esconder as marcas de uma grave varíola com maquiagem. Para isso, recorria a uma base conhecida como ceruse, feita de minério de chumbo branco, vinagre e, às vezes, arsênio. Sobre ela, aplicava vermelhão, um pó de cinábrio rico em mercúrio, nas bochechas e lábios.
O resultado era um rosto alvíssimo e reluzente, mas coberto diariamente por uma camada de substâncias tóxicas, que podiam corroer a pele e encurtar a vida.
3. A polêmica do banho
No fim do século 15, a crença de que banhos abriam os poros para “ares venenosos” tornou o ato raro entre monarcas. A rainha Isabel de Castela vangloriava-se por ter tomado banho apenas duas vezes na vida.

Já Jaime VI tinha tamanha aversão à água que nem lavava as mãos antes das refeições, limpando apenas as pontas dos dedos em um guardanapo úmido — e ainda assim recebendo beijos respeitosos nelas.
4. Canibalismo medicinal
A ideia de que a essência vital permanecia nos corpos após a morte levou muitos médicos a recomendarem pós e elixires feitos de partes humanas. Reis como Carlos II da Inglaterra e Francisco I da França consumiram essas “medicinas”. Jaime I chegou a receber a indicação de um pó feito de raspas de crânio humano para tratar a gota — mas, por repulsa, substituiu por raspas de cabeça de boi.
5. Santos na cama
Na Espanha, a fé levava a práticas ainda mais curiosas. Quando um membro da família real adoecia gravemente, era comum que restos mortais de santos — ou até cadáveres inteiros — fossem colocados na cama do enfermo. Acreditava-se que a proximidade física com as relíquias aceleraria a cura.
De beijos cautelosos em lençóis a maquiagens envenenadas, esses rituais revelam como a realeza, temerosa e supersticiosa, buscava proteção e saúde em um mundo repleto de ameaças invisíveis.