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‘Tremembé’: É verdade que Suzane von Richthofen denunciou promotor por assédio?

Série menciona denúncia feita por Suzane contra o promotor responsável pela sua transferência para Tremembé

Suzane von Richthofen
Suzane von Richthofen - Crédito: Divulgação/Vídeo/TV Record

A série “Tremembé“, uma nova produção brasileira disponível na Prime Video, aborda sobre a vida de alguns dos criminosos mais famosos do Brasil. A narrativa é inspirada em duas obras do jornalista Ullisses Campbell, que documentam os acontecimentos dentro da penitenciária de Tremembé, localizada no estado de São Paulo.

Nos momentos iniciais da série, o público é introduzido à história de Suzane von Richthofen, que conseguiu realizar uma transferência de penitenciária. A obra explora os bastidores e as circunstâncias que envolveram essa mudança.

Segundo informações do portal CNN, o livro “Assassina e Manipuladora”, também escrito por Campbell, revela detalhes sobre a perseguição que Suzane enfrentou na prisão, além de mencionar seu suposto envolvimento com o promotor Eliseu José Berardo Gonçalves, responsável pela sua transferência para Tremembé.

Buscando ajuda

A aproximação entre Suzane e Eliseu se deu quando ela fez uma denúncia ao Ministério Público, alegando que estava sob ameaça de morte por parte de outras detentas na Penitenciária Feminina de Ribeirão Preto. Após sua queixa, a criminosa encontrou o promotor nos corredores da instituição e solicitou sua ajuda.

Relatos de funcionários descritos no livro indicam que Eliseu passou a ver a condenada com outros olhos desde então e que suas interações tornaram-se mais frequentes.

Após investigar as ameaças contra Suzane, Eliseu confirmou que uma detenta chamada Maria Bonita tinha intenções reais de atacá-la. Isso levou o promotor a agendar uma audiência com a criminosa.

No encontro, Suzane foi recebida com beijo no rosto e permaneceu cerca de 10 horas no gabinete do promotor, sempre algemada. Durante a conversa, discutiram o assassinato de seus pais, Marísia e Manfred von Richthofen, além das ameaças que ela enfrentava na penitenciária anterior. Na ocasião, Suzane pediu pela transferência para um local mais seguro.

Pedido de beijo

De acordo com o relato no livro, Eliseu se ofereceu para ajudar Suzane com sua transferência, mas fez um pedido incomum: “Um beijo”. A resposta dela foi irônica: “Primeiro a transferência, depois o pagamento”.

A autorização para a transferência de Suzane para Tremembé foi concedida três semanas depois do pedido inicial. No entanto, dias antes da mudança, ela foi novamente levada ao Ministério Público. Ao chegar ao gabinete do promotor, encontrou um ambiente decorado com luzes coloridas e músicas românticas.

Em decorrência desses acontecimentos, a Corregedoria Geral do Ministério Público Estadual impôs uma suspensão de 22 dias ao promotor Eliseu José Berardo Gonçalves por conduta inadequada dentro da Promotoria. Ele se defendeu afirmando que as provas apresentadas eram falsas e que houve mentiras descaradas por parte de testemunhas.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.