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Tesouro de 3.000 anos feito com ferro de meteorito é descoberto

Peças do Tesouro de Villena, na Espanha, revelam uso surpreendente de metal extraterrestre por artesãos antigos

Artefatos feitos a partir de meteoritos
Artefatos feitos a partir de meteoritos - Reprodução/Museu de Vilhena

Pesquisadores identificaram recentemente que duas peças do famoso Tesouro de Villena, datado de mais de 3.000 anos e descoberto na província de Alicante, na Espanha, foram feitas com ferro proveniente de meteoritos. A descoberta foi publicada na revista científica Trabajos de Prehistoria, revelando mais sobre a habilidade e os materiais usados por povos da Idade do Bronze.

O conjunto completo do tesouro inclui 66 objetos, em sua maioria de ouro, além de âmbar e metais. Os itens em questão são uma pulseira em forma de “C” e uma peça hemisférica oca com revestimento em ouro. Em ambas as peças, análises laboratoriais identificaram presença de níquel, característica típica de ferro meteorítico, o que indica que o metal não era simplesmente ferro terrestre comum, mas sim material extraterrestre.

Tesouro alienígena

Os pesquisadores utilizaram técnicas modernas de espectrometria de massa para confirmar a origem do metal. O uso de ferro meteorítico é extremamente raro em peças arqueológicas: embora o ferro tenha começado a ser usado habitualmente apenas mais tarde, essas peças mostram que artesãos antigos, mesmo antes da Idade do Ferro, tinham acesso a materiais excepcionais e sabiam trabalhar com eles.

A origem extraterrestre do metal sugere que fragmentos de meteoritos eram coletados ou trocados por essas comunidades, o que implica uma rede de contato ou um reconhecimento valorativo de materiais raros. Além disso, o acabamento e ornamentação das peças demonstram que não se tratava de uso meramente utilitário, mas também de valor simbólico ou de prestígio social.

Essa descoberta do Tesouro de Villena reforça a complexidade tecnológica e cultural dos povos da Idade do Bronze na Península Ibérica. Revela que, mesmo em épocas tão remotas, já havia apreço por matérias-primas incomuns. Estudar esses artefatos agora permitirá compreender melhor como eram as trocas culturais, as técnicas metalúrgicas antigas e o significado social dessas peças incomuns.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.