Notícias / Caso Epstein

Semelhança com Epstein causa problemas a turco

Morador de Kayseri afirma sofrer insultos e olhares hostis por suposta semelhança física com o financista americano Jeffrey Epstein

Turco Epstein capa
Rifat Ozdemir diz sofrer represálias por semelhança com Epstein - Reprodução/X

Nos últimos meses, a rotina de Rifat Ozdemir, de 55 anos, passou a ser marcada por constrangimento, medo e ansiedade. Morador da cidade de Kayseri, no centro da Turquia, ele afirma que se tornou alvo frequente de insultos e comentários agressivos em locais públicos por causa de uma semelhança física com Jeffrey Epstein, financista americano condenado por crimes sexuais e morto em uma cela em Nova York, em 2019.

Segundo Rifat, tudo começou de forma aparentemente inofensiva, quando um sobrinho comentou, em tom de curiosidade, que ele se parecia com Epstein. À época, o nome não lhe dizia nada. “Eu nunca tinha ouvido falar dele”, relatou à imprensa local. A situação, no entanto, ganhou contornos perturbadores quando estranhos passaram a encará-lo com hostilidade nas ruas e a fazer comentários em voz alta, associando sua imagem à do criminoso sexual.

Intrigado e incomodado, o turco decidiu pesquisar na internet quem era o homem com quem vinha sendo comparado. O choque veio rapidamente. “Fiquei horrorizado quando descobri quem ele era e o que tinha feito”, afirmou. Trabalhador comum, sem qualquer ligação com o universo de poder, dinheiro ou escândalos internacionais, Rifat diz sentir profunda angústia ao ser associado a um personagem que se tornou símbolo global de abuso e impunidade.

Semelhança com Epstein

Ele relata à imprensa local que os episódios se repetem com frequência: pessoas cochicham, apontam e, em alguns casos, verbalizam a comparação de forma direta. “Ouvir alguém dizer ‘ele se parece com Epstein’ é algo que me causa um desconforto enorme”, desabafou. A situação chegou a tal ponto que Rifat começou a considerar mudanças drásticas em sua aparência para tentar se desvincular da associação involuntária. Entre os planos, estão alterar o corte de cabelo e deixar a barba crescer — algo que nunca fez ao longo da vida.

Mesmo reconhecendo que algumas feições e gestos possam lembrar os do financista americano, ele reforça que não aceita carregar um estigma que não lhe pertence. “Não quero, de forma alguma, ser ligado a essa pessoa”, afirmou, acrescentando que está disposto a fazer “todas as mudanças possíveis” para evitar novos episódios de constrangimento.

No último fim de semana, o caso ganhou repercussão local quando Rifat participou de um programa de TV regional. Em rede aberta, ele fez um apelo emocionado para que os moradores deixem de persegui-lo e de projetar sobre ele a imagem de alguém que nada tem a ver com sua história. Kayseri, cidade com cerca de 1,4 milhão de habitantes e ocupação humana registrada desde cerca de 3000 a.C., tornou-se, para ele, um espaço de vigilância constante e desconforto.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.