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Seca pode aumentar quantidade de super bactérias resistentes a antibióticos

Cientistas descobrem relação entre seca e a existência de super bactérias resistentes a antibióticos; um alerta para os tempos de mudanças climáticas

Imagem recreativa de modelo de cultura infectado e remédios - Créditos: Getty Images

Recentemente um estudo sobre os microrganismos presentes no solo identificou que em regiões mais secas e áridas há maior concentração de bactérias resistentes à antibióticosOu seja, das amostras da região foram encontrados alguns genes que também aparecem em amostras de patógenos resistentes a antibióticos coletadas de pacientes hospitalares.

A princípio a relação pode até ser confusa, mas a matéria explica que os antibióticos existentes são derivados de outras bactérias ou fungos, como é o caso da penicilina

As superbactérias encaram essas substâncias como fluídos de concorrência microbiana. Assim, ao se adaptar elas conseguem se reproduzir com mais intensidade em regiões antes consideradas inférteis ou esterilizadas.

Logo, em regiões mais secas, onde há menos condições de desenvolvimento microbiano, aquelas adaptadas geneticamente para lidar com concorrentes fortíssimas acabam se multiplicando.

Portanto, quanto maior a presença de terrenos secos e áridos, maior a proliferação de microrganismos super preparados à antibióticos. Acima de tudo, uma característica perigosa das mudanças climáticas. Mas o maior medo mesmo é com outra característica das bactérias.

Em suma, as bactérias podem realizar trocas de pedaços dos seus genes, processo nomeado como Transferência Horizontal dos Genes (THG). No fim, essa característica pode possibilitar que esses micróbios resistentes do solo passem sua resistência à outros microrganismos que infectam seres humanos.

Conforme Dianne Newman disse à Living Science:

Você vê isso em terras agrícolas, em pastagens, em florestas, em zonas úmidas, nos EUA, na China, na Suíça. […] Se um patógeno surgir em uma parte do mundo, ele se espalha muito rapidamente, então isso é algo preocupante, independentemente de onde você mora.”

Com a finalidade de testar essa característica, os estudiosos responsáveis pela pesquisa fizeram uma bateria de testes em solos úmidos e secos para analisar suas bactérias. 

O solo das amostragens foi tratado com fenazina, antibiótico produzido por algumas bactérias. Uma metade das amostras foi exposta a seca por três dias, o restante permaneceram úmidas. Como resultado, suas pressuposições estavam certas, realmente as bactérias mais resistentes se reproduziram mais.

Decerto, a mensagem mais forte que Newman deixou em sua fala à mídia  foi:

Este não é o momento para os governos pararem de financiar a pesquisa científica e a descoberta de drogas.”


*Sob supervisão de Giovanna Gomes

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: