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Satélites da Nasa vigiam dieta de pinguins para entender crise no gelo

Cientistas usam imagens espaciais de fezes para ligar alimentação das aves ao degelo e alertam para o risco de declínio populacional das espécies

Pinguins-de-adélia. Foto: Vittoriano Rastelli/Getty Images

Cientistas norte-americanos utilizaram tecnologias espaciais da Nasa para monitorar a saúde do ecossistema antártico através de um método inusitado: a análise de fezes de pinguins-de-adélia captadas por satélite. O estudo, divulgado na revista científica Current Biology, revela como a redução do gelo marinho está alterando a dieta dessas aves e ameaçando a estabilidade de suas colônias ao longo das últimas décadas. A pesquisa é fundamental porque essas aves funcionam como indicadores biológicos, ou seja, seu comportamento reflete as condições de todo o ecossistema marinho da região.

O projeto foi liderado por pesquisadores que buscaram superar as barreiras físicas da Antártica, um continente de difícil acesso e clima extremo. Para isso, o pesquisador Casey Youngflesh, da Universidade Clemson, coletou amostras físicas de guano, nome dado às fezes das aves, para validar os dados. Ao mesmo tempo, o coautor Michael Polito, da Universidade da Califórnia, utilizou análises químicas e de isótopos para identificar com precisão o que os animais ingeriram em diferentes locais.

Espaço revela alimentação animal

A técnica inovadora envolve a análise da assinatura espectral das fezes, que permite medir cores em comprimentos de onda invisíveis ao olho humano, como o infravermelho. Conforme informações publicadas pelo veículo Correio Braziliense, essa cor do guano indica se o pinguim se alimentou de peixes ou de krill, que são pequenos crustáceos essenciais para a vida marinha. Ao aplicar esse modelo às imagens históricas do programa Landsat da Nasa, a equipe conseguiu reconstruir o cardápio da espécie entre os anos de 1984 e 2013 sem precisar estar fisicamente no local durante todo o tempo.

Impacto do gelo marinho

Os resultados mostram que a disponibilidade de gelo é o fator determinante para o que vai para o estômago das aves. Em anos com mais cobertura de gelo, os pinguins consumiram mais peixes, uma fonte de energia superior

“Os satélites nos permitiram fazer algo que seria impossível de outra forma”, afirmou Casey Youngflesh ao destacar como a visão orbital permite um monitoramento em escala continental através de décadas de dados computacionais. No entanto, o cenário muda quando o gelo recua devido ao aquecimento global.

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Risco de declínio populacional

Com menos gelo disponível, as aves são forçadas a depender quase exclusivamente do krill. O problema é que colônias com dietas baseadas nesse crustáceo apresentam maior probabilidade de redução populacional. 

“Filhotes alimentados com peixes crescem mais e têm maiores chances de sobrevivência”, aponta a pesquisa, evidenciando que a dieta de krill é menos nutritiva e está se tornando escassa. De acordo com o que foi exposto pelo Correio Braziliense, se a tendência de perda de gelo continuar, os pinguins podem ficar presos a dietas deficientes em áreas cada vez maiores, ameaçando o futuro da espécie.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Meu propósito é dar voz a narrativas.