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Rodínia: Rochas ajudam a entender a formação do supercontinente

Análises de rochas do Lago Superior esclarecerem como a América do Norte participou da formação do supercontinente Rodínia

Esquema geológico da Terra primitiva - Andrew S. et Al., Earth-Science Reviews

Há cerca de 1,1 bilhão de anos, o supercontinente Laurentia — núcleo antigo e estável da América do Norte — deslocava-se rapidamente rumo ao Equador, antes de colidir com outras massas terrestres e dar origem ao supercontinente Rodínia. Esse movimento acelerado, estimado em até 30 centímetros por ano, foi um dos mais rápidos já registrados na história geológica, superando até a colisão da Índia com o supercontinente Eurásia que ergueu o Himalaia.

Supercontinente

O caminho percorrido por Laurentia é conhecido por meio do paleomagnetismo, técnica que analisa a orientação e magnetização das rochas. No norte de Wisconsin e Michigan, formações rochosas ricas em hematita preservaram registros desse deslocamento. No entanto, uma lacuna entre 1,075 bilhão e 900 milhões de anos atrás sempre dificultou a compreensão de como e quando Rodínia se consolidou. A descoberta foi publicada no periódico Advancing Earth and Space Sciences.

Para preencher esse vazio, pesquisadores coletaram novas amostras da Formação Freda, formada em planícies de inundação há cerca de 1,045 bilhão de anos. A partir delas, calcularam um novo paleopolo, revelando que, após 30 milhões de anos de velocidade extrema, Laurentia desacelerou para cerca de 2,4 centímetros anuais ao cruzar o Equador. Essa transição coincide com o início da orogenia de Grenville — processo de colisão continental que culminou na formação de Rodínia.

Os resultados reforçam que, naquele período, a Terra já era regida por múltiplas placas tectônicas ativas, afastando a hipótese de um regime estagnado de camada única.

Supercontinentes são enormes blocos de terra formados pela junção de vários continentes ao longo da história geológica da Terra. Eles surgem e se fragmentam em ciclos que duram centenas de milhões de anos, impulsionados pelo movimento das placas tectônicas.

Entre os principais já identificados estão Rodínia (1,1 a 0,75 bilhão de anos atrás), Pangeia (335 a 175 milhões de anos atrás) e Colúmbia/Nuna (1,8 a 1,5 bilhão de anos atrás). Esses megacontinentes moldaram o clima, a biodiversidade e até a composição química dos oceanos, tendo papel decisivo na evolução da vida e na configuração atual do planeta.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.