Quadro roubado de Van Gogh volta restaurado a museu
Obra “The Parsonage Garden at Nuenen in Spring”, de Van Gogh, voltou a ser exibida ao público após um cuidadoso processo de restauração

Uma das histórias mais inusitadas do mundo da arte nos últimos anos ganhou um novo capítulo. A pintura “The Parsonage Garden at Nuenen in Spring”, de Vincent van Gogh, voltou a ser exibida ao público no Groninger Museum, na Holanda, depois de passar por um longo processo de restauração. A obra havia sido roubada em 2020 e recuperada três anos depois em circunstâncias quase cinematográficas: dentro de uma sacola azul da IKEA, protegida por plástico-bolha e uma fronha manchada de sangue.
Pintado em 1884, o quadro pertence à fase inicial da carreira de Van Gogh, quando o artista ainda vivia com os pais na cidade holandesa de Nuenen. A obra retrata o jardim da casa pastoral onde seu pai atuava como pastor, com a torre da igreja ao fundo e a figura de uma mulher caminhando entre as árvores. Ainda distante das cores vibrantes que marcariam trabalhos posteriores, a pintura carrega os tons mais sóbrios característicos do início de sua produção.
Quadro roubado de Van Gogh
O roubo ocorreu em março de 2020, no Singer Laren Museum, para onde a peça havia sido emprestada. Câmeras de segurança registraram um homem mascarado quebrando duas camadas de vidro com uma marreta e fugindo com a obra durante a madrugada, justamente no aniversário de nascimento de Van Gogh. O caso repercutiu internacionalmente e, em 2022, um homem identificado como Nils M. foi condenado a oito anos de prisão pelo furto.
A recuperação veio em setembro de 2023, quando o célebre detetive de arte Arthur Brand, conhecido como o “Indiana Jones do mundo da arte”, recebeu uma ligação de um homem que dizia estar com o quadro e queria devolvê-lo anonimamente. No dia seguinte, a pintura foi entregue em sua casa dentro da famosa sacola da IKEA.
Ao retornar ao museu, no entanto, os conservadores perceberam que a obra havia sofrido arranhões e pequenos danos durante o período em que permaneceu desaparecida. A restauradora Marjan de Visser assumiu o trabalho de recuperação, removendo intervenções antigas e corrigindo marcas recentes. Segundo o museu, o quadro agora se aproxima do aspecto original imaginado por Van Gogh há quase 150 anos.