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Presidente da Nicarágua diz que o país não fará mais eleições

Daniel Ortega, atual presidente da Nicarágua, anunciou que “construirá um muro” para seus adversários políticos

Fotografia de Daniel Ortega, presidente da Nicarágua
Fotografia de Daniel Ortega, presidente da Nicarágua - Créditos: Getty Images

No último domingo, 19 de julho, o atual presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, junto de sua esposa e co-presidente Rosario Murillo, fez um discurso alegando que não realizará mais eleições no país, para impedir que a oposição chegue ao poder.

Em posse do cargo desde 2007, Ortega fez o anúncio na comemoração do 47° aniversário da revolução sandinista, movimento que derrubou a brutal ditadura, apoiada pelos EUA, de Anastasio Somoza.

De acordo com Tiziano Breda, analista sênior da América Latina da ONG Armed Conflict Location and Event Data:

Com essa decisão, Ortega e Murillo selaram a transição do país para uma ditadura familiar de pleno direito,”.

O presidente da Nicarágua e o discurso polêmico

Conforme The Guardian, o presidente não aparecia em público há 61 dias. Assim, quando milhares de servidores públicos foram convocados para o evento, já se esperava um discurso diferenciado. Mas a ideia de “construir um muro” para os adversários políticos surpreendeu até mesmo seus apoiadores. Durante o discurso, Ortega destacou:

Trabalharemos com a Assembleia Nacional e as instituições relevantes sobre leis, porque precisamos de leis que construam um muro, uma barreira, contra os golpistas e os traidores que vendem seu país.”

Acontece que as constantes interferências político-econômicas dos Estados Unidos na Nicarágua levaram diversos países da América Latina a ter posições extremas contra entreguistas e governos como o da família Somoza. Nesse sentido, diversos países passam a ver movimentos de dentro do país como formas norte-americanas de derrubar seus governos. De qualquer modo, as eleições que estavam previstas para o ano que vem agora são incertas. Breda completou:

Ortega e Murillo estão evidentemente com medo da ideia de que a menor abertura política poderia criar as condições para que a dissidência se manifestasse e ameaçasse seu controle sobre o poder, possivelmente sugerindo que seu já fraco apoio doméstico está caindo ainda mais. […] Portanto, em vez de encenar uma eleição fraudada, eles optaram por eliminar completamente a competição eleitoral.”

Em seu discurso, o presidente da Nicarágua ainda fez críticas ao sequestro de Nicolás Maduro:

Com todo o seu poder, eles invadiram o palácio presidencial, onde estavam Nicolás e sua esposa, Cilia [Flores]. Eles mataram toda a equipe de segurança lá – a maioria deles eram cubanos – e os levaram para prendê-los nos EUA. É monstruoso.”

De acordo com a ONU e a Human Rights Watch, há cerca de 50 presos políticos na Nicarágua. O regime despojou 546 pessoas de sua cidadania e fechou mais de 5.600 organizações não governamentais, 29 universidades e 58 meios de comunicação.


*Sob supervisão de Giovanna Gomes

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: