Torre de Londres abrirá arquivos inéditos em grande reforma histórica
Projeto na Torre de Londres prevê novos centros educativos, acesso a 25 mil desenhos históricos e transformação do fosso em sala de aula verde

A Torre de Londres, um dos monumentos históricos mais conhecidos do Reino Unido, poderá passar por uma ampla renovação nos próximos anos. A Historic Royal Palaces, organização responsável pela administração do complexo, apresentou a iniciativa “Tower of Tomorrow”, que pretende ampliar o acesso de estudantes, pesquisadores e comunidades ao patrimônio histórico da fortaleza, além de criar novos espaços educativos e abrir ao público uma coleção inédita de documentos arquitetônicos.
A campanha de arrecadação de recursos para o projeto já está em andamento. Segundo a organização, cerca de US$ 27 milhões (R$ 137 milhões) já foram doados ou prometidos, enquanto a meta total é de US$ 94 milhões (R$ 478 milhões).
“A Torre de Londres deve ser um lugar de aprendizado, descoberta e conexão para todos, e a Torre do Amanhã é o nosso compromisso de longo prazo para que isso aconteça”, afirmou John Barnes, diretor executivo da Historic Royal Palaces, em comunicado.
Entre as principais mudanças previstas está a construção de duas novas instalações totalmente acessíveis, projetadas pelo escritório Jamie Fobert Architects. A expectativa é que os novos espaços permitam elevar de 125 mil para até 200 mil o número anual de estudantes recebidos na Torre de Londres.
Planos futuros
Os grupos escolares e comunitários iniciarão suas visitas no novo Centro de Aprendizagem e Comunidade Weston, localizado na área conhecida como Wharf. O edifício contará com ambientes voltados para atividades práticas, um pátio, uma sala comunitária e oficinas conduzidas por apresentadores caracterizados.
Outro destaque será o Centro de Aprendizagem Julia Rausing, instalado no histórico Waterloo Block. Distribuído em três andares, o espaço oferecerá ambientes destinados a projetos comunitários e juvenis, programas digitais, transmissões ao vivo e atividades de formação para professores.
O novo centro também abrigará o Centro de Estudos de Arquivos, que disponibilizará ao público mais de 25 mil desenhos produzidos ao longo de mais de dois séculos de projetos arquitetônicos, obras de construção e iniciativas de conservação relacionadas à Torre de Londres e a outros palácios históricos administrados pela instituição.
Pela primeira vez, visitantes poderão consultar projetos arquitetônicos originais, desenhos técnicos, plantas de apresentação, levantamentos arqueológicos, reconstruções históricas e registros de importantes intervenções de preservação envolvendo a Torre de Londres, o Palácio de Kensington, o Palácio de Hampton Court, o Palácio de Kew, a Banqueting House e o Castelo e Jardins de Hillsborough.
“Abrir o acesso a esses desenhos revelará as histórias por trás dos próprios edifícios — desde ambiciosas campanhas de restauração e descobertas arqueológicas até o trabalho diário de conservação que garantiu sua sobrevivência”, declarou Vanessa Hodge, chefe de registros da Historic Royal Palaces, ao Art Newspaper.
Embora o acervo reúna documentos produzidos entre o início do século 19 e o começo do século 21, Hodge destacou que o principal diferencial da coleção está na documentação técnica do século 20.
Segundo ela, seu “maior trunfo” é a quantidade de planos de conservação, levantamentos e desenhos técnicos produzidos nesse período. O conjunto permitirá aos visitantes compreender “como esses sítios históricos foram estudados, adaptados e protegidos na era moderna”.
Além dos novos edifícios, a organização pretende transformar o fosso da fortaleza em uma “sala de aula verde”. O espaço será voltado para atividades educativas relacionadas à biodiversidade, mudanças climáticas, história e meio ambiente, ampliando o uso pedagógico da área externa do monumento.
Nova fase na história
As reformas representam um novo capítulo na trajetória da Torre de Londres, construída há quase mil anos às margens do rio Tâmisa. A fortaleza começou a ser erguida após a Conquista Normanda de 1066, por ordem de Guilherme I, inicialmente com a construção da Torre Branca, que mais tarde daria origem ao complexo atual.
Ao longo dos séculos, o edifício desempenhou diferentes funções, servindo como palácio real, fortaleza militar, prisão, casa da moeda, arsenal e tesouraria. Também ficou conhecido por ter sido cenário de algumas das mais famosas prisões e execuções da história inglesa, segundo a Smithsonian Magazine.
Desde 1988, a Torre de Londres integra a lista de Patrimônios Mundiais da UNESCO e permanece entre as atrações turísticas mais visitadas da Grã-Bretanha, reunindo visitantes interessados em sua história, nos tradicionais guardas conhecidos como “Beefeaters” e nas Joias da Coroa Britânica.
Nos últimos anos, o monumento também voltou a chamar atenção por descobertas arqueológicas. Durante a instalação de um novo elevador, pesquisadores realizaram a primeira grande escavação no local em mais de três décadas sob a Capela Real de São Pedro ad Vincula, construída entre 1519 e 1520 sob o reinado de Henrique VIII.
Na ocasião, arqueólogos identificaram o que acreditam ser uma vala comum do século 14, possivelmente relacionada às vítimas da Peste Negra, além de encontrarem diversos artefatos históricos, como potes de carvão, agulhas de costura, balas de canhão, vitrais, um anel, um pingente e as fundações da construção original do século 13 existente na área.