Por que França e Espanha farão minuto de silêncio antes da semifinal da Copa?
Solenidade marca os dez anos do ataque terrorista que deixou 86 mortos durante as celebrações do Dia da Bastilha na Riviera Francesa, em 2016

A semifinal da Copa do Mundo de 2026 entre as seleções da França e da Espanha, agendada para esta terça-feira, 14, em Dallas, nos Estados Unidos, terá um início marcado pela solenidade. Antes do apito inicial, será respeitado um minuto de silêncio em memória às vítimas do atentado terrorista de Nice, ocorrido há dez anos.
O anúncio foi realizado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, que utilizou suas redes sociais para agradecer à FIFA por acolher o pedido do governo. Conforme informações publicadas pelo jornal O Globo, o ato simboliza o luto coletivo e a resistência de uma nação que nunca esqueceu a tragédia ocorrida durante as festividades do Dia da Bastilha, o principal feriado nacional francês.
Avant France-Espagne, une minute de silence sera observée en hommage aux victimes de l’attentat de Nice, dix ans après le 14 juillet 2016.
Merci au Président de la FIFA d’avoir répondu à la demande de la France et de tous les Français mobilisés.
Nous n’oublierons jamais.
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) July 13, 2026
Homenagem em campo
O ataque de 2016 foi um dos mais letais da história francesa moderna. Naquela noite de 14 de julho, milhares de cidadãos e turistas ocupavam a Promenade des Anglais, uma famosa avenida à beira-mar em Nice, para assistir à tradicional queima de fogos. Foi quando um caminhão de grande porte avançou deliberadamente contra a multidão, percorrendo dois quilômetros em zigue-zague. O massacre resultou em 86 mortes, incluindo dez crianças e adolescentes, e deixou mais de 400 feridos.
Na época, as Nações Unidas descreveram o episódio como um ato de extrema barbárie contra civis inocentes. O então alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, afirmou que “o ataque assassino a pessoas comuns, usando um simples caminhão como arma mortal, é mais um golpe direcionado ao coração da humanidade por extremistas”.
Cicatrizes da tragédia
A memória do atentado foi revivida com intensidade em 2022, durante o julgamento dos acusados de fornecer apoio logístico ao motorista responsável pelo crime. Sobreviventes levaram ao tribunal francês relatos que detalharam o horror vivido na avenida costeira. O sobrevivente Taoufik Kebaier descreveu o cenário de devastação como algo inimaginável para quem estava em um momento de celebração.
“Houve um barulho ensurdecedor. Corri, caí e fiquei espremido entre corpos. Parecia um campo de trigo sendo ceifado”, relatou em depoimento registrado pelo veículo The Guardian. Outro relato impactante veio de Marie-Claude Borla, que estava com a família no local. “As pessoas começaram a gritar: ‘O caminhão! O caminhão!’. Vi coisas sendo lançadas para o alto e não percebi que eram corpos”, recordou a sobrevivente sobre os segundos que mudaram sua vida.
Cooperação contra terror
A escolha da semifinal da Copa para esta homenagem reforça a mensagem de união internacional contra o extremismo. No contexto do atentado original, a UNESCO já havia manifestado que tais atos nunca venceriam a determinação global pela paz e pela educação.
Conforme declarou a diretora-geral da organização na época, Irina Bokova, o esforço contínuo deve ser para “prevenir o extremismo violento através da educação para a cidadania global e os direitos humanos”. Com a presença de autoridades e milhões de espectadores ao redor do globo, o minuto de silêncio em Dallas servirá para que, como destacou o presidente Emmanuel Macron, o mundo reafirme o compromisso de que essas vidas jamais serão esquecidas pela sociedade.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli