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Pesquisadora revela real significado de ‘marcas de bruxas’ em prédios ingleses antigos

Durante anos, debateu-se símbolos como marcas de proteção contra bruxas, mas pesquisadora rebate: ‘Não há absolutamente nenhuma evidência’

Um hexafólio no teto do Grande Salão em Little Moreton Hall, Cheshire, Reino Unido/National Trust Images/James Dobson

Durante anos, um trabalho em conjunto entre a English Heritage e a Historic England aponta ter identificado um grande número de “marcas de bruxas” ou “símbolos de proteção ritual” nas paredes de edifícios históricos, incluindo igrejas e casas medievais.

Porém, agora, uma importante historiadora de arquitetura afirma que não existem evidências que corroborem com isso. Ao The Guardian, Jennifer Alexander, professora de história da arquitetura na Universidade de Warwick e autora de um livro recém-lançado sobre o assunto, afirmou: 

Não há absolutamente nenhuma evidência” de que essas marcas tenham qualquer relação com bruxas ou quaisquer “significados místicos”.

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Marcas de bruxa

Segundo a pesquisadora, os hexafólios — ou Rosas de Margarida, como são popularmente conhecidas — não são ‘Marcas de Bruxa’. Jennifer dá um significado muito mais simples para os desenhos: marcas de pedreiros que trabalharam nesses edifícios. 

Você se lembra de quando, na escola, recebeu um compasso pela primeira vez e fez um círculo de margaridas? É isso. Existem centenas dessas marcas e elas tendem a ter diferentes níveis de habilidade. É muito mais o tipo de coisa que você usaria para treinar aprendizes, dando-lhes habilidades no uso de ferramentas em superfícies difíceis como pedra.”

Ela aponta, ainda, que essas marcas eram “geometria prática” sendo ensinada e experimentada. “As rodas de margarida são exercícios para desenhar em pedra e aprender a usar compassos com réguas para fazer geometria.”

A pesquisadora ainda ridicularizou a identificação dessas marcas como “marcas de bruxas”, alegando ao veículo britânico: “Qualquer coisa em um edifício de pedra que se pareça com um desenho é interpretada como essas malditas coisas agora. Não há absolutamente nenhuma evidência de que elas tenham sido usadas dessa forma.”

Os achados

Segundo recorda o The Guardian, em 2024, a English Heritage anunciou em Gainsborough Old Hall, em Lincolnshire, “uma quantidade impressionante de marcas de proteção ritual esculpidas, ou marcas apotropaicas — às vezes chamadas de ‘marcas de bruxas’ — a maior quantidade identificada em qualquer um dos nossos 400 sítios”.

“Círculos simples que parecem não ter o desenho interno de seis pétalas de uma margarida ou de um hexafólio estão entre as marcas encontradas… Acreditava-se que elas aprisionavam demônios. Outras incluem Vs sobrepostos ou marcas marianas, que alguns acreditam invocar a Virgem Maria para proteção, e um pentagrama que — apesar das conotações modernas — era originalmente usado para proteção contra o mal”, prosseguiu o comunicado.

Dois anos depois, foi a vez da Historic England pedir ao público que procurasse marcas de bruxas que “remontam a épocas em que a crença em bruxaria e no sobrenatural era generalizada”.

O site afirma que marcas de bruxas, símbolos de proteção ritual ou marcas apotropaicas foram encontradas em muitos locais históricos, embora reconheça que o significado dos hexafólios seja controverso.

Por exemplo, o mundo da Wicca, um movimento religioso pagão contemporâneo, vê-os como motivos solares”, afirma o texto. “Outra corrente de pensamento sugere que são puramente seculares e poderiam ser exercícios geométricos para aprendizes… No entanto, sua interpretação como uma marca de proteção ritual é a teoria mais amplamente aceita atualmente.”

O contra-ponto

A pesquisadora, porém, afirma: “Não há provas de que essas sejam marcas de bruxas. O que nos dizem é que, quando aquele celeiro não era necessário para produtos agrícolas, ele servia como sala de aula ou oficina de treinamento de pedreiros”.

“Há uma enorme quantidade de desenhos nas paredes e a habilidade deles varia muito. Se você estiver desenhando um círculo com um compasso, você chega a três quartos do círculo e é muito difícil fazer uma linha limpa e precisa porque seu pulso está de cabeça para baixo. Quando você faz isso no papel, já é ruim o suficiente. Quando você faz isso na pedra, é ainda mais difícil. Então, as pessoas precisam ser treinadas.”

“Existem coisas para afastar o mau-olhado, mas são coisas mais genéricas… São partes dos mecanismos pelos quais os edifícios são construídos… Marcas que se parecem com um W maiúsculo ou um M são cifras maçônicas. Elas podem ajudar a montar as peças na ordem correta se você estiver construindo algo. Ou podem identificar de quem foi a obra.”

Em seu livro recém-publicado, Stonemasons’ Marks, Jennifer explora como as marcas eram usadas e o que elas revelam sobre as construções e as pessoas que as contruíram. 

A tréplica

Diante do assunto, a Historic England declarou: “Acolhemos com satisfação novas pesquisas que contribuem para a nossa compreensão dessas marcas. Quanto mais aprendemos sobre elas, mais rica se torna a nossa imagem das pessoas que criaram e utilizaram esses locais.”

“Acolhemos com satisfação debates como este, que incentivam novas perspectivas sobre o passado, e aguardamos com expectativa os rumos que as futuras pesquisas nos levarão”, completou a English Heritage.

Jornalista de formação, curioso de nascença, escrevo desde eventos históricos até personagens únicos e inspiradores. Entusiasta por entender a sociedade através do esporte. Vez ou outra você também pode me achar no impresso!