Notícias / Astronomia

Estudo indica que horas no espaço já aceleram o envelhecimento

Pesquisa realizada por cientistas da Universidade Central da Flórida identificou alterações genéticas provocadas pela radiação no espaço

Espaço Terra
Planeta Terra visto do espaço à noite, em renderização 3D / Crédito: Getty Images

Passar longos períodos no espaço pode acelerar o envelhecimento do organismo humano, mas esse efeito também pode ajudar cientistas a compreender melhor como surgem doenças relacionadas à idade. Um estudo da Universidade Central da Flórida, nos Estados Unidos, identificou alterações no fígado provocadas por condições semelhantes às do espaço profundo, abrindo caminho para futuras terapias contra o envelhecimento e enfermidades degenerativas.

Para a pesquisa, publicada em junho na revista GeroScience, os cientistas utilizaram o Laboratório de Radiação Espacial da NASA para reproduzir o ambiente encontrado em missões espaciais. Durante 14 dias, eles analisaram os efeitos da radiação em amostras biológicas, sem que fosse necessário enviar participantes ao espaço.

Envelhecimento no espaço

Segundo o coordenador do estudo, Michal Masternak, o fígado foi escolhido por desempenhar funções essenciais no metabolismo do organismo. Os pesquisadores observaram que, apenas 24 horas após a exposição à radiação, o órgão apresentava alterações genéticas muito semelhantes às registradas durante o envelhecimento natural.

A pesquisa mostrou que a radiação cósmica pode desencadear processos como senescência celular, inflamação e fibrose, condições que comprometem o funcionamento do fígado e podem levar à perda gradual de sua capacidade funcional. Os cientistas também compararam os resultados com amostras de sangue do Estudo de Gêmeos da missão Inspiration4, realizada pela SpaceX em 2021, e encontraram padrões genéticos semelhantes.

Além de identificar esses efeitos, a equipe testou uma molécula capaz de modificar vias genéticas relacionadas ao envelhecimento e à inflamação. Os resultados sugerem que ela poderá contribuir para o desenvolvimento de tratamentos destinados tanto a astronautas quanto a pacientes com doenças degenerativas.

Para Masternak, compreender como o envelhecimento se inicia nos diferentes órgãos pode ser decisivo para prevenir enfermidades antes que elas se manifestem. Segundo o pesquisador, garantir a saúde das tripulações será um dos principais desafios para futuras missões espaciais de longa duração.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.