Notre-Dame inicia nova fase para restaurar rosácea medieval e fachada norte
Com investimento de 150 milhões de euros, intervenções em Paris visam recuperar vitrais e estátuas desgastadas até o ano de 2029

A Catedral de Notre-Dame de Paris, que reabriu suas portas em dezembro de 2024 após o incêndio devastador de 2019, dará início a uma nova etapa de preservação. O órgão público francês Rebâtir Notre-Dame de Paris anunciou nesta sexta-feira, 3 de julho de 2026, que os esforços agora se voltam para a recuperação da grande rosácea medieval e da fachada norte do monumento. O projeto visa tratar problemas de conservação que já existiam antes da tragédia e garantir o esplendor histórico do edifício.
Resgate do brilho medieval
O foco principal desta fase, programada entre 2027 e 2029, é a icônica rosácea ocidental. Situada no centro da fachada principal, a estrutura é em grande parte original da Idade Média e não recebia uma intervenção profunda desde o século 19, quando foi reformada pelo arquiteto Eugène Viollet-le-Duc.
De acordo com o veículo suiço Swissinfo, os vitrais também sofreram danos pontuais devido a uma forte chuva de granizo em maio de 2025. Para evitar deteriorações futuras causadas pelo clima, o plano inclui a instalação de uma proteção externa transparente.

Limpeza da fachada norte
Simultaneamente, os técnicos trabalharão na fachada norte do transepto. Segundo o veículo RFI, as estátuas medievais desta seção estão cobertas por décadas de poluição e poeira, o que exige uma limpeza minuciosa. O presidente do estabelecimento público, Philippe Jost, destacou que a catedral precisa de cuidados que estejam à altura de sua fama mundial.
“O nosso objetivo agora é concluir a restauração da catedral”, afirmou o gestor em comunicado oficial divulgado nesta sexta-feira. O cronograma total prevê cerca de 12 operações distintas que devem ser executadas de forma escalonada até o ano de 2033.

Financiamento e visitas ilustres
O custo estimado para essas novas intervenções é de 150 milhões de euros (aproximadamente R$ 890 milhões de reais), dos quais 130 milhões (em média R$ 771 milhões) ainda precisam ser captados. Conforme o portal oficial Gov.br e registros do projeto, 845 milhões de euros já foram aplicados ou empenhados desde o incêndio em 2019, fruto de doações globais.
Enquanto as equipes técnicas preparam os novos andaimes, a catedral também se organiza para receber o Papa Leão XIV, que deve visitar a França em setembro. Sob a supervisão do arquiteto-chefe Philippe Villeneuve, as obras entram em uma nova fase voltada à preservação de longo prazo do monumento, conciliando a recuperação de elementos históricos com intervenções contemporâneas previstas no projeto, como os novos vitrais da nave lateral sul.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes