Neandertais usavam substância natural como antibiótico contra infecções
Novo estudo aponta que neandertais utilizavam alcatrão de bétula para curar ferimentos, funcionando como um forte antibiótico natural

A ciência acaba de adicionar uma nova peça surpreendente ao quebra-cabeça da evolução humana. Segundo um estudo publicado na última quarta-feira, 18, pela revista PLOS One, os neandertais podem ter utilizado o alcatrão de bétula não apenas como cola para ferramentas, mas também como um antibiótico primitivo para tratar infecções.
A pesquisa foi liderada por Tjaark Siemssen, professora das Universidades de Colônia e Oxford. A equipe partiu da observação de vestígios dessa substância viscosa em diversos sítios arqueológicos.
Embora o material fosse tradicionalmente associado ao reparo de lanças, a nova investigação focou em suas propriedades medicinais, inspirada por comunidades indígenas que ainda utilizam o recurso.
Testes e eficácia biológica
De acordo com informações da Revista Galileu, para confirmar a hipótese, os cientistas replicaram as técnicas de extração de dezenas de milhares de anos atrás. Eles utilizaram métodos como a destilação em fossas de argila para obter o alcatrão puro.
Em laboratório, os resultados foram contundentes: o material demonstrou capacidade real de inibir o crescimento de bactérias do gênero Staphylococcus sp., responsáveis por graves infecções cutâneas.
Dessa forma, o estudo sugere que o uso da substância ia muito além da utilidade mecânica. Segundo os autores em comunicado oficial, a descoberta indica que esses grupos antigos possuíam um sistema de saúde rudimentar, mas funcional. O domínio de substâncias naturais permitiu que os neandertais reduzissem o impacto de doenças severas durante as eras glaciais.
Legado na paleofarmacologia
Essa visão desafia o antigo estereótipo de que esses hominídeos eram seres rudimentares ou menos inteligentes. O uso do alcatrão revela uma capacidade cognitiva elevada e a existência de uma transmissão cultural de conhecimento. Além do potencial curativo, os pesquisadores acreditam que a bétula também servia como repelente de insetos no cotidiano.
Atualmente, o campo da paleofarmacologia ganha relevância diante da crise global de resistência antimicrobiana. Entender como nossos ancestrais lidavam com patógenos pode abrir portas para novas soluções na medicina moderna.
O trabalho de Siemssen e sua equipe reforça que a sofisticação tecnológica humana tem raízes muito mais profundas do que a história costumava registrar.
*Sob supervisão de Éric Moreira