Mesmo com demência, justiça nega libertação de Josef Fritzl
Aos 90 anos, criminoso condenado por incesto, estupro e cárcere privado, Josef Fritzl continuará cumprindo prisão perpétua

O austríaco Josef Fritzl, de 90 anos, não será libertado da prisão. O homem que chocou o mundo ao manter sua própria filha em cativeiro por 24 anos no porão de sua casa, e ter sete filhos com ela, teve seu pedido de libertação negado pelo Tribunal Regional de Krems, na Áustria.
Fritzl cumpre prisão perpétua desde sua condenação, em 2009, por uma série de crimes hediondos, incluindo incesto, estupro, coerção, cárcere privado, escravidão e homicídio culposo — este último pela morte de um dos bebês nascidos do abuso, que não recebeu cuidados médicos adequados.
Segundo informações da Agência de Imprensa da Áustria (APA), Fritzl passou 15 anos em uma unidade para criminosos com distúrbios mentais antes de ser transferido, em 2024, para uma prisão comum. A mudança de regime permitiu que seu advogado solicitasse a libertação antecipada, o que foi feito em agosto de 2025.
A advogada de defesa, Astrid Wagner, alegou que Fritzl sofre de demência progressiva e deveria ser transferido para um centro especializado em cuidados de demência, o que, segundo ela, “seria um lugar melhor que a prisão”.
Contudo, o tribunal rejeitou o pedido, sustentando que Fritzl ainda manifesta agressividade em relação à sua família como parte de seus delírios e que não se pode descartar o risco de ele voltar a representar uma ameaça. “Na minha opinião, o raciocínio é falho. Portanto, contestarei esta decisão”, afirmou Wagner à APA.
O caso
Josef Fritzl manteve sua filha Elisabeth prisioneira no porão da casa da família em Amstetten, na Áustria, desde que ela tinha 18 anos, segundo revelou o The New York Times em 2008. O cativeiro, cuidadosamente escondido, contava com portas reforçadas e isolamento acústico — e permaneceu em segredo por mais de duas décadas.
Durante esse período, Elisabeth teve sete filhos com o próprio pai. Três deles cresceram no porão, três foram criados por Fritzl e sua esposa — que acreditava que a filha havia se juntado a uma seita e deixado as crianças sob seus cuidados —, e um bebê morreu logo após o nascimento, vítima de negligência.
O caso veio à tona em 2008, quando Elisabeth e um de seus filhos, gravemente doente, precisaram de atendimento médico. O episódio levou à descoberta do cativeiro e à prisão imediata de Fritzl, que posteriormente confessou os crimes.
O caso Fritzl é considerado um dos crimes mais chocantes da história recente da Europa, símbolo de um horror doméstico mantido em segredo por décadas. Sua revelação gerou debates profundos sobre vigilância comunitária, falhas institucionais e os limites da punição em casos de crimes extremos.
Segundo o ‘PEOPLE’, mesmo com idade avançada e problemas de saúde, as autoridades austríacas consideram que a gravidade de seus atos e o risco potencial de reincidência justificam a manutenção da prisão perpétua.