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Mentor do roubo ao Louvre ficou insatisfeito com saque de € 88 milhões: ‘dava para levar mais’

Depoimentos revelam que o mentor do roubo milionário queria levar mais joias, enquanto um dos suspeitos lamentou danos em coroa histórica na França

Oficiais franceses isolam a entrada do Museu do Louvre após roubo de joias em 19 de outubro de 2025 em Paris, França. - Getty Images

Novos detalhes sobre o audacioso assalto ao Museu do Louvre, ocorrido em outubro de 2025, revelam que o mentor intelectual do crime ficou insatisfeito com o resultado da operação de 88 milhões de euros (cerca de R$516.129.768,00). Segundo transcrições de interrogatórios publicadas pelo jornal Le Monde e repercutidas pelo veículo The Guardian, os executores do furto afirmaram que o cliente que encomendou as joias “achou que poderíamos ter levado mais” do acervo da Galeria Apollo. Os depoimentos dos suspeitos Abdoulaye N e Ghelamallah A oferecem uma visão inédita sobre a logística do crime que abalou o mundo das artes e da segurança internacional.

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Frustração do mentor oculto

A dupla confessou ter invadido a galeria real sob ordens de um contratante que eles se recusam a identificar por medo de represálias contra suas famílias. De acordo com o relato de Abdoulaye N, o líder do esquema “não estava feliz” com o espólio final. 

Ele explicou aos juízes que a missão dada era “quebrar as vitrines e recuperar as joias de dentro dos expositores”, mas o ritmo da ação teria sido aquém do esperado pelo mandante. O suspeito admitiu que, na visão de quem financiou o crime, o inventário de oito peças roubadas foi considerado insuficiente diante do potencial da coleção francesa.

Dano em joia histórica

Um dos momentos mais críticos do depoimento foi o reconhecimento de danos irreparáveis à coroa de diamantes da Imperatriz Eugênia, que foi a última imperatriz consorte dos franceses e esposa de Napoleão III no século 19. Durante a fuga, o objeto caiu da bolsa de um dos assaltantes. 

“Sim, fui eu, caiu da minha bolsa”, confessou Abdoulaye N ao ser confrontado com fotos da peça danificada. Ele lamentou o ocorrido diante dos juízes afirmando que “o que fizemos não foi certo, é muito sério”.

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Falha crítica na segurança

A facilidade com que os invasores acessaram o museu mais visitado do mundo gerou uma crise institucional sem precedentes, levando à renúncia da diretora do Louvre, Laurence des Cars. Os suspeitos utilizaram um elevador de móveis externo para chegar a uma varanda no primeiro andar antes de quebrar as janelas da galeria. 

Abdoulaye N descreveu a atmosfera dentro do museu ao dizer que “quando entramos, não havia ninguém lá, estava escuro, apenas as luzes nas vitrines estavam acesas”. Ele ainda completou que percebeu a presença da vigilância ao longe. “À distância, eu conseguia ver a segurança se movendo, atrás de uma porta ou algo assim”, relatou o suspeito, evidenciando a corrida contra o tempo.

O medo de represálias

Apesar da colaboração parcial, os detidos demonstram pavor em relação aos mandantes. Ghelamallah A, que alegou acreditar inicialmente que roubaria uma joalheria comum e não o Louvre, afirmou que os organizadores do plano “não são coroinhas”. Por sua vez, Abdoulaye N revelou ter recebido telefonemas ameaçadores durante sua detenção. “Eles me disseram para ficar quieto”, declarou aos investigadores, mantendo o silêncio sobre o destino final das joias imperiais e a identidade real do mentor insatisfeito.


*Sob supervisão de Giovanna Gomes

Meu propósito é dar voz a narrativas.