968 pessoas recebem ordens de prisão acusadas de envolvimento em tentativa de golpe na Turquia
Quase mil pessoas receberam ordens de prisão por suposto envolvimento em fracassada insurreição militar ocorrida em julho de 2016

Quase mil suspeitos de terem participado de uma tentativa de golpe de Estado ocorrida há dez anos na Turquia receberam ordem de prisão nesta segunda-feira, 13. Conforme anunciou o ministro da Justiça do país, as pessoas em questão estariam vinculadas à rede gülenista, grupo que o governo do presidente Recep Tayyip Erdogan responsabiliza pela fracassada insurreição militar de julho de 2016.
Na ocasião, em 15 de julho daquele ano, uma ala das Forças Armadas tentou derrubar o governo turco. O episódio deixou mais de 250 mortos e cerca de 2 mil feridos. Na época, Erdogan atribuiu a articulação da tentativa de golpe ao pregador muçulmano Fethullah Gülen, antigo aliado político que vivia exilado nos Estados Unidos e morreu em 2024. Segundo Ancara, Gülen liderava a organização conhecida como FETO/PDY, acusada pelo governo de criar uma “estrutura paralela” dentro do Estado turco.
Com a tentativa de golpe, a Turquia decretou estado de emergência, que permaneceria em vigor até 2018. De acordo com a agência de notícias AFP, nesse período, foram promovidos expurgos nas Forças Armadas, na polícia, no Judiciário, na administração pública, na diplomacia, no sistema educacional e mesmo em veículos de comunicação, sendo que centenas de milhares de pessoas acabaram presas, demitidas ou exiladas.
Campanha de ‘purificação’
Ao anunciar a nova operação, o ministro da Justiça, Akin Gürlek, classificou os mandados de prisão como parte de uma “grande campanha de purificação” em operação no país. Enquanto isso o ministro do Interior, Mustafa Ciftci, informou que as autoridades procuram 968 suspeitos para desarticular remanescentes da organização que o governo considera terrorista.
A tentativa de golpe de 2016 é tida como um marco na história recente da Turquia, uma vez que, segundo a fonte, fortaleceu a posição de Erdogan e contribuiu para a ampliação de seu controle sobre as instituições do país.