Mary Celeste: caso do navio fantasma mais famoso da história foi resolvido
após mais de um século, cientistas finalmente resolveram o mistério de Mary Celeste, o navio fantasma mais famoso da história; entenda!

No dia 5 de dezembro de 1872, perto de Açores, um navio foi encontrado em perfeito estado, porém, faltava a tripulação que o guiava. O navio Mary Celeste por séculos seguiu sendo o navio fantasma mais famoso da história. Agora, após quase 150 anos, cientistas finalmente descobriram a causa do abandono.
O navio que havia partido de Nova York deveria ir para Gênova, na Itália, com uma carga de etanol quase puro. Contudo, quando encontrado, o navio não tinha nenhum vestígio de invasão, os objetos pessoais dos marinheiros permaneciam na embarcação. Conforme os relatos da época, era quase como se eles simplesmente tivessem sumido.
Surpreendentemente, a causa do sumiço pode ter sido o motivo da própria viagem: o etanol. O vapor hiper inflamável de etanol pode ter explodido em alto mar e feito a tripulação se jogar nas águas. Mas como o navio sobreviveu à explosão?
O navio e o etanol
O Dr. Jack Rowbotham, químico da Universidade de Manchester, informou que sempre se prestou muita atenção na presença de somente etanol no navio. Apesar de 1.700 barris a bordo da embarcação, 9 deles estavam misteriosamente vazios.
Dessa forma, os cientistas utilizaram o vazamento desses 9 barris como princípio para suas teorias. Conforme o Daily Mail, até 1.100 litros de etanol podem ter vazado para o porão nesse ocorrido, gerando uma condição perfeita para uma bola de fogo em alto mar.
Contudo, teorias que suspeitavam do álcool não são novas. Desde a época do ocorrido, muitos diziam que na verdade a tripulação se embriagou e acabou caindo ao mar. Entretanto, os funcionários do navio eram todos abstêmios, ou seja, não tomavam álcool.
Porém, uma importante característica do etanol pode revolucionar todas as interpretações já feitas. Conforme o Dr. Rowbotham:
Existe uma temperatura fundamental que é muito importante para o etanol, e essa é de 13°C”.
Antes de atingir essa temperatura, o etanol não inflama. Dessa forma, a saída da embarcação em pleno inverno de Nova York, em que as temperaturas estão abaixo de 0°C, para Açores em que a média nesse período do ano é 20°C, pode indicar um acidente fatal.
Apesar de não beberem álcool, na época era muito comum os homens fumarem, pois muitas vezes o ato era considerado um símbolo de masculinidade e era bem visto na sociedade. Ou seja, havia uma bomba relógio bem debaixo da tripulação.

Agravantes do ocorrido
Não obstante, nos registros do navio, a embarcação enfrentou mau tempo durante a viagem. Por isso, a equipe se abrigou na parte inferior do navio, fechou a escotilha e criou uma verdadeira câmara selada e cheia de etanol debaixo do convés.
Com o passar do tempo, a tripulação abriu as escotilhas, permitindo que o oxigênio, gás pesado, entrasse no navio e criasse uma mistura altamente inflamável.
Dessa forma, para comprovar a teoria, o Dr. Rowbotham e seu colega químico da Universidade de Manchester, Dr. Frank Mair, criaram um experimento em escala como parte de um novo documentário do Channel 5.
A maquete em proporção 1:18 teve seu porão preenchido por uma quantidade proporcional de vapor de etanol. E foi resfriado para reproduzir o clima nova-iorquino em transição às temperaturas de Açores.
Na temperatura americana, nenhuma faísca conseguiu inflamar a embarcação. Porém, quando o clima esquentou, um enorme incêndio aconteceu. Conforme o Daily Mail, uma chama azul intensa tomou o porão e escapou pela escotilha.
Assim, o pesquisador chegou à conclusão de que provavelmente a tripulação pensou que 1.700 barris de etanol estavam explodindo e pularam do navio. Contudo, tal qual o navio original, o navio da maquete, após o ocorrido, não apresentou nenhum sinal de queima.
Ou seja, apesar do fogo ter alcançado 2.000°C, a queima do etanol com oxigênio foi tão rápida que não durou o suficiente para queimar as madeiras e os itens pessoais. O Dr. Rowbotham afirma: “se não tivéssemos filmado, não seria possível ver que houve uma explosão no navio.”
*Sob supervisão de Éric Moreira