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Marte pode estar girando mais rápido por raro vulcão ativo no planeta

Dados da missão InSight da NASA sugerem que uma pluma de magma profunda altera a física marciana e encurta os seus dias ao longo do tempo

O imenso Monte Olimpo, em Marte, é o maior vulcão do Sistema Solar e possui três vezes a altura do Monte Everest / Créditos: ESA/DLR/FU Berlin/Mars Express/Andrea Luck

Um mistério sobre a aceleração contínua da rotação de Marte pode ter sido resolvido recentemente. Dados da missão InSight, da NASA, indicam que uma pluma de rocha no manto do Planeta Vermelho causa o fenômeno.

Consequentemente, o corpo celeste retém calor geológico por muito mais tempo do que a ciência acreditava.

Anomalia sob a superfície

De acordo com informações da revista Live Science, a pesquisa focou na extensa província vulcânica de Tharsis. Diferente da Terra, Marte não possui placas tectônicas, permitindo que a lava se acumule por milênios e forme megaestruturas estáticas. Utilizando simulações computacionais, os cientistas identificaram uma “anomalia de massa negativa” profunda nessa região.

Na prática, trata-se de um material menos denso que a rocha ao redor, deslocando-se para cima em direção à litosfera. Segundo Bart Root, professor da Universidade de Tecnologia de Delft, essa anomalia cria bolsões de material fundido. Desse modo, o magma ganha potencial para penetrar a crosta e possivelmente entrar em erupção.

O efeito na rotação

Além de explicar a formação vulcânica local, a dinâmica subterrânea soluciona a alteração nos dias marcianos. Medições anteriores já indicavam que o planeta encurta o seu dia em 70 microssegundos anualmente. Portanto, a movimentação interna dessa pluma altera diretamente a velocidade de giro do globo.

O pesquisador Bart Root compara o processo a alguém girando em uma cadeira com pesos nas mãos: ao puxá-los para perto do corpo, a rotação acelera. Como a anomalia leve sobe no equador, a matéria mais pesada desce rumo ao eixo central. Por conseguinte, a velocidade do planeta aumenta progressivamente.

Repensando mundos rochosos

A constatação obriga os pesquisadores a reavaliarem como os pequenos mundos resfriam no espaço. Até então, presumia-se que Marte havia dissipado seu calor interno rapidamente por ser muito menor que a Terra. Contudo, esse forte movimento no manto aponta para uma atividade geológica surpreendentemente duradoura.

Afinal, a superfície marciana abriga processos complexos que ainda não foram totalmente decifrados. Conforme destaca Bart Root, compreender a interação entre o interior e a crosta é um passo vital. Em suma, essa história preservada no solo ajudará a entender a própria evolução do nosso sistema solar.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli