‘Jaguar-das-Nuvens’ é avistado em montanhas da Honduras depois de 10 anos
Avistados em altitudes antes nunca vistas, cientistas apontam retorno do “Jaguar-das-Nuvens” para zona de preservação na América Central

Nesses últimos dias, uma fotografia chocou os preservacionistas de Honduras. A foto de um felino de grande porte na altitude de cerca de 2.200 metros de altura foi o motivo de comemoração entre cientistas que vêm trabalhando há 10 anos em faixas de preservação.
Apelidado carinhosamente de “Jaguar-das-Nuvens”, o animal não é uma espécie nova; no Brasil é conhecido como “Onça-Pintada”. No entanto, a sua presença em uma altitude tão elevada — enquanto o comum para as onças é menos de 1.000 metros — fez com que o nome surgisse.
O avistamento
Apesar do nome místico e até um tanto mitológico, a onça capturada pela fotografia é símbolo da presença de grandes predadores nas faixas de preservação construídas em Honduras.
Dessa aparição, os cientistas podem tirar a conclusão de uma fauna de herbívoros e pequenos carnívoros que se estabelecem na região. Dessa forma, a fotografia tirada dia 6 de fevereiro se tornou símbolo de um projeto efetivo.
A fotografia em si foi retirada na nebulosa floresta da Sierra del Menderón, em Honduras, por uma armadilha fotográfica. Em perfeitas condições, um felino desse porte não era avistado a 2.200 metros desde 2016.
Conforme a Smithsonian Magazine, a Panthera onca, o animal avistado, está percorrendo uma região que serve como “ponte” entre Honduras e a Guatemala. Ou seja, segundo os cientistas, a passagem da onça para a Guatemala é sinal de que esse macho provavelmente está buscando por fêmeas.
Allison Devlin, diretora do programa “Panthera”, organização que tirou as fotos, em entrevista a Scientific American disse:
Para as onças-pintadas, a conectividade é fundamental. […] A Serra de Merendón funciona como um ponto de conexão no Corredor da Onça-Pintada, que se estende do México à Argentina, o que significa que um único indivíduo saudável ali sinaliza a viabilidade potencial do corredor.”
A preservação
Até então, antes das medidas de preservação, a região vinha perdendo exponencialmente sua população de felinos. Somente nos últimos 21 anos, de 20 a 25% dos espécimes desapareceram, o que seria equivalente a 2 ou 3 gerações.
Primordialmente, para recuperar essa população, os biólogos responsáveis pela região trabalharam na reintrodução de presas na fauna local. Assim, iguanas e catetos voltaram a ser comuns no espaço.
Assim, patrulhas contra caçadores ilegais foram determinantes para a situação. Essas medidas, juntas da criação de corredores ecológicos e preservação dos Jaguar Rivers, fizeram os animais voltar a percorrer distâncias mais elevadas.
De todo modo, as medidas de proteção garantiram que os animais percorram toda a América Latina, do México à Argentina, facilitando o acesso nos estreitos da América Central.
*Sob supervisão de Éric Moreira