Notícias / Mundo

Investigador nega confissão em caso movido por Harry contra o Daily Mail

Gavin Burrows, peça central nas acusações de espionagem jornalística, diz que declaração anterior é falsa e que jamais trabalhou ilegalmente

Gavin Burrows - BBC

O investigador particular Gavin Burrows, figura-chave no processo judicial movido pelo príncipe Harry e outras celebridades contra o editor do Daily Mail, declarou ao Tribunal Superior de Londres que sua suposta confissão anterior foi falsificada. Burrows, que havia sido apontado como responsável por atividades ilegais de obtenção de informações, afirmou que nunca trabalhou de forma ilícita para a Associated Newspapers Limited (ANL), empresa que publica o Daily Mail e o Mail on Sunday.

Em um novo depoimento de 30 páginas, prestado em 25 de setembro de 2025, Burrows afirmou que “não reconhece” a declaração de testemunha de 2021, na qual teria admitido grampear telefones e invadir mensagens de voz a serviço do Mail on Sunday. Ele alegou que o documento “foi elaborado por terceiros” e que sua assinatura “é uma falsificação”.

Grande parte dela não está escrita em meu idioma nativo. O conteúdo é substancialmente falso”, declarou.

Burrows acrescentou que “jamais” trabalhou para o Mail on Sunday ou o Daily Mail, exceto em um único trabalho relacionado ao empresário Richard Branson — que, segundo ele, “não envolveu nenhuma atividade ilegal”. O investigador afirmou ainda que foi manipulado por Graham Johnson, ex-jornalista condenado por grampeamento telefônico, e abordado em um momento de vulnerabilidade, enquanto se recuperava de uma agressão física e fazia uso de analgésicos e álcool.

Acusações e Julgamento

A ANL é acusada por sete personalidades, incluindo Elton John e Doreen Lawrence, de encomendar espionagem e invasão de privacidade. O grupo alega que investigadores foram contratados para instalar escutas em carros, obter registros privados por fraude e acessar mensagens e ligações. A empresa nega todas as acusações e tenta demonstrar que os depoimentos apresentados contra ela são inconsistentes.

Segundo o ‘The Guardian’, o juiz Nicklin concedeu sete dias para que os advogados do grupo decidam se desejam intimar Burrows a depor no julgamento. Caso o investigador apresente provas que contradigam as já apresentadas, poderá ser considerado “testemunha hostil”. Uma nova audiência preliminar está marcada para ocorrer até o fim do ano.