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Imperador Asteca tinha zoológico para “fins rituais”

Análise de restos de animais mostra sinais de confinamento prolongado, oferecendo suporte material às antigas descrições de um zoológico

Zoológico Asteca capa
Zoológico de Tenochtitlán, retratado no Códice Florentino - Domínio Público

Um novo estudo arqueológico vem reforçar uma tradição antiga segundo a qual o imperador Moctezuma II, que governou o Império Asteca no início do século XVI, mantinha uma coleção de animais exóticos dentro da capital Tenochtitlan, hoje parte da Cidade do México. A análise dos restos ósseos desses animais sugere que eles passaram por cativeiro prolongado e cuidado humano, algo que vai além de meras narrativas coloniais e começa a ser respaldado por evidências físicas.

Pesquisadores ligados ao Templo Mayor Project examinaram um conjunto de 28 esqueletos animais recuperados de oito oferendas cerimoniais associadas ao Huei Teocalli, o grande complexo cerimonial da capital mexica dedicado a divindades como Huitzilopochtli e Tlaloc.

Esses restos pertencem a espécies variadas, incluindo águia-real, águia harpía, codorna, jaguar, lobo e colhereiro rosado. Marcas nos ossos — como degeneração articular avançada, fraturas cicatrizadas e infecções — indicam que muitos desses animais viveram por períodos prolongados com limitações físicas que dificultariam sua sobrevivência na natureza sem intervenção humana.

Zoológico Asteca

A presença desses sinais de saúde comprometida sugere que os animais não foram simplesmente capturados e sacrificados imediatamente antes de rituais, mas foram mantidos vivos e alimentados por humanos por bastante tempo, possivelmente em instalações específicas dentro da cidade. Esse padrão de enfermidades e de cura pós-trauma é consistente com cativeiro e cuidado prolongado, reforçando a interpretação de que havia um tipo de “vivário” ou zoológico associado ao poder imperial.

Fontes históricas coloniais em espanhol mencionam um local conhecido como Totocalli (termo nahuatl que pode ser traduzido como “casa de animais” ou “casa de aves”), descrito como parte dos jardins e áreas adjacentes ao palácio real de Moctezuma II. Esses relatos falam de aviários e coleções que incluíam tanto aves quanto predadores terrestres e criaturas aquáticas, reunidos em um espaço que impressionou os conquistadores europeus pela diversidade e pelo caráter exótico dos animais ali mantidos.

Embora investigações arqueológicas diretas do edifício ou jaulas relacionadas ao zoológico não tenham sido encontradas até o momento — em parte por causa do extenso desenvolvimento urbano moderno sobre os restos de Tenochtitlan — o padrão observado nos ossos dos animais é um forte indicativo indireto de manejo e confinamento deliberado por humanos antes de seu uso cerimonial. Isso oferece um elo valioso entre os relatos históricos e as evidências materiais.

Na cosmologia e ritualidade astecas, animais não eram apenas curiosidades naturais ou símbolos de status: eles desempenhavam papéis simbólicos e espirituais complexos relacionados ao cosmos, representando diferentes níveis da existência — terra, céu e água — e servindo como elementos vivos em cerimônias religiosas.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.