Fenômeno deixa o Mar Negro coberto por tom azul-turquesa
Fenômeno anual provocado por cocolitóforos deixou o Mar Negro com um intenso tom turquesa, visível até do espaço; entenda!

O Mar Negro voltou a chamar a atenção pela mudança temporária em sua coloração. Conhecido por exibir águas de tom azul-escuro durante a maior parte do ano, o corpo d’água localizado entre a Europa e a Ásia adquiriu uma intensa tonalidade turquesa nos últimos meses, fenômeno registrado na última segunda-feira, 22, pelo satélite PACE (Plankton, Aerosol, Cloud, ocean Ecosystem).
A alteração na aparência da superfície ocorre regularmente entre o fim da primavera e o início do verão no hemisfério norte. Embora a intensidade das cores varie de um ano para outro, a causa permanece a mesma: a proliferação de cocolitóforos, um tipo de fitoplâncton responsável por transformar temporariamente a paisagem do mar.
Entenda o fenômeno
Apesar de serem organismos microscópicos e invisíveis a olho nu, os cocolitóforos tornam-se perceptíveis quando aparecem em grandes quantidades. Reunidos em extensas florações, eles podem ser observados por satélites e até mesmo por astronautas a centenas de quilômetros de distância.
A capacidade de alterar a coloração da água está relacionada à estrutura desses organismos. Seus corpos são revestidos por placas de carbonato de cálcio, que refletem a luz e conferem às águas superficiais um aspecto azul-claro, leitoso e ligeiramente turvo. É essa característica que faz o Mar Negro adquirir a coloração turquesa registrada durante essa época do ano.
A presença dos cocolitóforos costuma ser mais intensa entre junho e julho. Nas demais estações, a superfície do Mar Negro é dominada por diatomáceas, algas microscópicas dotadas de carapaças de sílica, responsáveis pela tonalidade mais escura observada ao longo do restante do ano, repercute a Revista Galileu.
As imagens captadas pelo satélite também permitiram aos pesquisadores acompanhar o fenômeno no Estreito de Bósforo, passagem que corta Istambul, na Turquia, e conecta o Mar Negro ao Mar de Mármara. A região também apresentou águas em tom turquesa devido ao florescimento do fitoplâncton, que acompanhava as correntes marítimas nos dois lados do canal.
O monitoramento desse tipo de evento é realizado por meio de tecnologias de sensoriamento remoto. Além de registrar alterações na coloração da água, esses sistemas permitem que cientistas acompanhem a dinâmica das florações de fitoplâncton em áreas onde a coleta direta de amostras é limitada.
Segundo os pesquisadores, observar essas florações também é importante para compreender processos ambientais ligados ao ciclo do carbono nos oceanos. Após a morte desses microrganismos, parte do carbono absorvido durante seu ciclo de vida afunda até o leito marinho, onde pode permanecer armazenado por longos períodos. Dessa forma, além de alterar temporariamente a paisagem do Mar Negro, os cocolitóforos desempenham um papel relevante na dinâmica ambiental dos ecossistemas marinhos.