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EUA registram domínio ‘alien.gov’ após ordem de Trump sobre arquivos de ETs

Governo dos Estados Unidos cria endereços digitais ligados a extraterrestres após ordem para divulgar arquivos sobre OVNIs e vida alienígena

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump / Crédito: Getty Images

O governo dos Estados Unidos registrou, na quarta-feira, 18, os domínios “alien.gov” e “aliens.gov”, ambos com a extensão reservada a órgãos oficiais do país. Até o momento, no entanto, nenhum dos endereços possui conteúdo ativo, e não há confirmação oficial sobre sua finalidade.

Os registros surgem cerca de um mês após o presidente Donald Trump determinar que agências federais iniciem a divulgação de documentos relacionados à suposta existência de vida extraterrestre e a fenômenos aéreos não identificados. A identificação dos novos domínios foi feita por um perfil na rede social Bluesky que monitora registros digitais de instituições públicas, e os dados podem ser verificados em plataformas como o site who.is.

Apesar da ausência de informações detalhadas, a criação dos domínios tem sido associada à ordem emitida pelo presidente em fevereiro. Na ocasião, Trump afirmou: “Devido ao grande interesse demonstrado, instruirei o Secretário da Guerra e outros Departamentos e Agências relevantes a iniciarem o processo de identificação e divulgação de arquivos governamentais relacionados à vida alienígena e extraterrestre, fenômenos aéreos não identificados (UAPs) e objetos voadores não identificados (OVNIs)”.

Procurada pela imprensa americana, a Casa Branca não esclareceu o objetivo dos registros e limitou-se a responder com a expressão “fiquem atentos”, acompanhada de um emoji de alienígena. A falta de transparência alimentou especulações sobre a possível criação de um portal oficial para divulgação de documentos.

Aliens nos EUA?

O tema ganhou ainda mais repercussão após declarações do ex-presidente Barack Obama, feitas dias antes da ordem de Trump, em entrevista ao podcast do apresentador Brian Tyler Cohen. Obama comentou sobre a possibilidade de vida extraterrestre, afirmando: “Eles são reais, mas eu não os vi, e não estão sendo mantidos na… ‘Área 51’. Não há nenhuma instalação subterrânea, a menos que haja essa enorme conspiração e eles tenham escondido isso do presidente dos Estados Unidos”.

A menção à Área 51, instalação militar localizada no estado de Nevada, reacendeu teorias da conspiração historicamente associadas ao local. Documentos da CIA divulgados em 2013 indicam que a base foi utilizada para testes de aeronaves espiãs ultrassecretas, embora o imaginário popular frequentemente a relacione a supostos experimentos com tecnologia extraterrestre.

Trump criticou as declarações de Obama e afirmou que o ex-presidente teria cometido um erro ao abordar o tema publicamente. Ao mesmo tempo, o atual governo intensificou o discurso sobre a abertura de arquivos sigilosos, o que ampliou o debate político em torno do assunto, conforme repercute o g1.

Críticos da iniciativa apontam que o foco em extraterrestres pode funcionar como uma estratégia para desviar a atenção de outras questões. O deputado republicano Thomas Massie afirmou: “Eles lançaram mão da arma definitiva de distração em massa, mas os arquivos de Epstein não vão desaparecer, nem mesmo para alienígenas“. A declaração faz referência às cobranças por maior transparência em relação ao caso envolvendo Jeffrey Epstein.

Nos últimos anos, o Pentágono tem conduzido investigações sobre relatos de objetos voadores não identificados. Em 2022, autoridades militares de alto escalão informaram que não havia evidências de visitas extraterrestres à Terra. Um relatório divulgado em 2024 reforçou essa conclusão, apontando que a maioria dos avistamentos analisados desde o fim da Segunda Guerra Mundial corresponde a fenômenos comuns ou a objetos identificados de forma equivocada.

Mesmo sem confirmação oficial sobre o propósito dos domínios “alien.gov” e “aliens.gov”, o registro reforça o interesse recente do governo americano em centralizar informações sobre o tema. A ausência de conteúdo nos sites mantém o assunto em aberto, enquanto cresce a expectativa sobre possíveis anúncios relacionados à divulgação de arquivos considerados sensíveis.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.