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Estudo revela que falta de gás no universo faz buracos negros passarem fome

Levantamento com 8.000 buracos negros comprova que a escassez de gás no universo fez a taxa de expansão desses gigantes despencar drasticamente nos últimos 10 bilhões de anos

A galáxia J033225 brilha mais em raios X do que a galáxia J033215 devido ao seu maior consumo de energia / Créditos: Divulgação / NASA / ESA / Z. Yu et al.

Há cerca de 10 bilhões de anos, os maiores buracos negros do universo cresciam em um ritmo extremamente acelerado e contínuo. No entanto, um novo levantamento astronômico revelou que essa taxa de expansão despencou drasticamente com o passar das eras cósmicas.

Segundo a pesquisa recente, o motivo primário não é a diminuição na quantidade desses monstros gravitacionais, mas sim a escassez severa de material para consumo diário.

O fator do gás frio

Para entender essa mudança de comportamento, os cientistas analisaram observações de 1,3 milhão de galáxias e 8.000 buracos negros supermassivos.

Consequentemente, eles descobriram que o apetite dessas entidades diminuiu porque a oferta de gás frio disponível no espaço caiu significativamente. O astrônomo Fan Zou explicou que as unidades individuais estão apenas devorando a matéria existente de forma muito mais lenta.

Além disso, o astrofísico Neil Brandt destacou em entrevista ao Live Science, que a queda histórica nas taxas de crescimento é profunda e inegável. Conforme as análises da equipe, a melhor estimativa aponta para uma diminuição de um fator de 22 desde o chamado “meio-dia cósmico”. Dessa forma, fica comprovado que a era dourada de proliferação rápida e agressiva desses colossos celestes realmente ficou no passado.

Raios X revelam o cenário

De acordo com informações da revista Live Science, para chegar a essas conclusões detalhadas, a emissão de luz de raios X atuou como o indicador mais confiável de crescimento galáctico. O pesquisador Zhibo Yu afirmou que essa radiação específica possui um alto poder de penetração e apresenta um forte contraste em relação às estrelas de fundo.

Por conta dessa característica, os especialistas conseguiram avaliar as estruturas sem a interferência da poeira que obscurece o cosmos.

Por fim, o estudo confirma que o censo geral de buracos negros supermassivos se estabilizou há aproximadamente 7 bilhões de anos. Portanto, os cientistas envolvidos não aguardam o surgimento de novos gigantes cósmicos com crescimentos expressivos nas próximas eras.

Como resultado direto dessa estagnação, os trabalhos futuros da astronomia devem se concentrar no rastreamento de exemplares ainda mais antigos usando novos telescópios


*Sob supervisão de Giovanna Gomes