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Estudo revela conexão entre terremoto de 1954 e a Zona de Subducção Cascadia

Estudo revela ligação entre terremoto de 1954 na Califórnia e a Zona de Subducção Cascadia, acendendo alerta sobre riscos sísmicos na região

Localização da zona de subducção de Cascadia - Federal Emergency Management Agency

Um estudo recente sugere que o terremoto de magnitude 6.5, que ocorreu em 1954 no norte da Califórnia, pode estar relacionado à notória Zona de Subducção Cascadia. Essa descoberta é significativa, pois essa zona sísmica, que se estende do norte da Califórnia até a Ilha de Vancouver no Canadá, não é conhecida por produzir muitos tremores de terra de pequeno ou médio porte.

Em termos de sismologia, essa falha é considerada “travada”, ou seja, está em movimento restrito. A última ruptura registrada foi um maciço terremoto de magnitude 9 no ano 1700, que resultou em deslizamentos de terra e um tsunami tão poderoso que ondas superiores a 5 metros atingiram o Japão, conforme relatado pelo Serviço Geológico dos EUA.

Recentemente, Lori Dengler, co-autora do estudo e sismóloga aposentada da Cal Poly Humboldt, afirmou que a região da Cascadia tem estado “estranhamente silenciosa” nos tempos modernos. “Não temos pequenos terremotos, e isso não é comum em zonas de subducção,” comentou ela em declaração.

A ausência de tremores menores desde que os cientistas começaram a monitorar as falhas com sismômetros e outros instrumentos limita a compreensão do comportamento da Cascadia. Contudo, a nova pesquisa, publicada no Bulletin of the Seismological Society of America, sugere que a falha pode ter se rompido em uma escala menor mais recentemente. O estudo revisitou um terremoto ocorrido em 21 de dezembro de 1954, que abalou a área da Baía de Humboldt, na Califórnia, logo antes do meio-dia. Moradores relataram movimentos rápidos e fortes do solo que derrubaram chaminés.

Os dados sobre o terremoto foram coletados a partir do equipamento sismológico da época, incluindo alguns acelerômetros capazes de medir movimentos do solo e seismógrafos mais antigos que utilizavam uma caneta suspensa para desenhar linhas contínuas em um papel, registrando os tremores com linhas onduladas. Os pesquisadores digitalizaram esses registros antigos e também reuniram dados de estações sísmicas distantes para determinar melhor o epicentro e a profundidade do terremoto.

Investigação

Com dados fragmentados, estudos anteriores propuseram 14 locais diferentes para o epicentro do tremor. A nova investigação concentrou-se em uma localização mais precisa: Fickle Hill, uma pequena comunidade florestal situada ao longo de uma estrada de duas pistas próxima à cidade maior de Arcata. Sob a liderança da sismóloga aposentada da Universidade da Califórnia em Berkeley, Margaret Hellweg, os pesquisadores determinaram que a falha responsável pelo terremoto provavelmente se rompeu entre 11 e 14 quilômetros abaixo da superfície.

Arcata está situada em uma região particularmente interessante em termos sísmicos. A cidade está nas proximidades do “triple junction” offshore, onde a placa oceânica do Pacífico encontra a placa oceânica Gorda e a placa continental norte-americana. Além disso, ela se localiza na zona de transição entre a falha de San Andreas (onde as placas norte-americana e pacífica deslizam uma sobre a outra) e a Zona de Subducção Cascadia (onde a placa oceânica Juan de Fuca mergulha sob a placa norte-americana).

A maioria dos terremotos próximos à Humboldt se origina na placa Gorda. No entanto, os pesquisadores descobriram que o tremor de Fickle Hill não teve essa origem. Com base na profundidade e na direção das ondas sísmicas geradas pelo terremoto, concluiu-se que ele parece ter vindo da Zona de Subducção Cascadia.

Segundo o ‘Live Science’, esse achado faz de Fickle Hill um dos apenas dois possíveis terremotos associados à Cascadia desde 1700. O terremoto Cape Mendocino de magnitude 7.2 ocorrido em 1992 também poderia ter relação com Cascadia, embora essa teoria ainda gere debates acalorados.

A implicação desse novo estudo sugere que a Cascadia não precisa romper-se completamente para provocar enormes terremotos devastadores; ela pode quebrar em segmentos menores, ocasionando tremores menores. Embora os resultados atuais não permitam previsões diretas sobre futuros eventos sísmicos na Cascadia, a revisão dos dados existentes pode ajudar os cientistas a aprimorar sua compreensão sobre as tectônicas dessa região, contribuindo para uma melhor estimativa do risco sísmico no noroeste do Pacífico.